Bancos melhoram previsões para o Brasil
Nova York, 07 (AE-DOW JONES) - A rápida melhoria das condições econômicas brasileiras fez com que diversos bancos de investimento internacionais melhorassem suas avaliações sobre a situação e as perspectivas da economia brasileira.
O Deutsche Bank elevou hoje sua recomendação para títulos emitidos pelo Brasil de "underweight" (abaixo da média do mercado) para "neutro" (na média do mercado) e previu uma queda nas taxas de juros do País para níveis de 34% ao ano.
O estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank
Geoffrey Dennis, disse que o Brasil terá um bom desempenho no mercado apesar das expectativas de crescimento negativo este ano. "A questão é saber a que nível as taxas de juro poderão cair", disse Dennis.
O estrategista elevou ainda sua recomendação para o Peru, para overweight (acima da média do mercado), uma vez que o país está "relativamente barato e deve ser beneficiado pela retomada nos preços das commodities". Segundo ele, a recuperação nos preços das commodities e a queda nas taxas de juros devem beneficiar os mercados latino-americanos no segundo trimestre.
O Chase Manhattan elevou temporariamente a classificação do Brasil para overweight ao mesmo tempo em que decidiu aumentar substancialmente a concentração de ativos latino-americanos em seu portfólio nos próximos meses, passando para 79% do total. De acordo com o economista Larry Brainard, essa mudança é resultado da nova avaliação do cenário econômico. O banco prevê uma tendência gradual de redução dos prêmios pagos pelos títulos da América Latina em todos os mercados nos próximos meses.
Inflação - O Morgan Stanley está prevendo uma inflação de 15% este ano para o Brasil, de acordo o relatório divulgado hoje pelo economista-chefe do banco para países emergentes, Ernest "Chip" Brown. Segundo ele, a inflação de 0,56% no mês de março (de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fipe, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) ficou abaixo da sua previsão para o período, que era de 0,9%.
A expectativa de Brown para abril é de uma inflação de 1,4%, em função principalmente do setor de vestuário, que deve entrar com a coleção de outono-inverno. No entanto, o analista observa que, se os preços dos alimentos continuarem caindo, assim como os custos de transportes, esse índice poderá até ser menor.
Ernest Brown acredita também que o Banco Central (BC) continuará diminuindo a taxa Over/Selic à medida em que melhorarem as expectativas de inflação, mas isso será feito em um ritmo mais lento do que o esperado pelo mercado.
"Acreditamos que o presidente do BC, Arminio Fraga, vai esperar para ver se a tendência de queda da inflação é realmente concreta", afirmou Brown em seu relatório. "Ele será cauteloso porque reverter o curso e aumentar novamente a taxa de juros será politicamente muito caro", acrescenta.
O Morgan Stanley prevê que a taxa Over/Selic deverá chegar a 36% no fim de junho, 30% no fim de setembro e a 24% no fim do ano. "As taxas poderão cair mais rápido do que isso, se a inflação continuar abaixo das expectativas", informa o relatório.





