Bancos mantiveram apenas crédito de curto prazo em março
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Soraya de Alencar e Lu Aiko Otta 
Brasília, 23 (AE) - Somente no final deste mês o governo poderá saber o resultado do apelo feito pelo ministro da Fazenda
Pedro Malan, e pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para que os banqueiros internacionais mantivessem suas linhas de crédito ao Brasil com prazo mais longo. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, em março os bancos só concederam ao País recursos de curto prazo. Ou seja, até 360 dias. Em relação a fevereiro, houve uma retração de US$ 1,26 bilhão nos créditos concedidos em linhas interbancárias ou diretamente do banco para uma empresa.
No caso das linhas interbancárias (concedida por um banco para outro banco repassar no mercado interno), os financiamentos às exportações até 360 dias chegaram, no mês, a US$ 222 milhões. Ou seja, este é o valor das operações que os exportadores conseguiram renovar no exterior. Enquanto isso, no entanto, o crédito às importações não renovado, ou reduzido, ficou em US$ 154 milhões. Outras operações do interbancário e não vinculadas a comércio receberam financiamento externo de US$ 191 milhões no mês.
O crédito de médio e longo prazos, também nas linhas interbancárias, sofreu uma queda de US$ 567 milhões, sendo que as importações novamente foram mais castigadas com a não renovação de US$ 252 milhões nos financiamentos destinados ao setor. No caso das exportações, a retração no crédito disponível foi de US$ 19 milhões. No caso das outras operações, houve uma redução de US$ 296 milhões nos créditos dos bancos internacionais. Até fevereiro, o estoque destas linhas era de US$ 22,5 milhões, posição que o governo brasileiro pediu aos bancos que seja mantida.
Nos financiamentos diretos de bancos a empresas, março registrou uma queda de US$ 960 milhões, sendo US$ 858 milhões nos financiamentos à importação e mais US$ 102 milhões nos empréstimos em moeda. Isso significa que o estoque destas linhas ficou em US$ 19 bilhões pois, até fevereiro, o total dos empréstimos ao Brasil superava US$ 20 bilhões.


