São Paulo, 06 (AE) - Novas linhas de crédito para pequenas e microempresas serão lançadas amanhã pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, no Seminário Nacional da Micro e Pequena Empresa, que acontece desde domingo em São Paulo. Essas linhas terão taxas de juros de 1,95% ao mês - em vez dos atuais 3,2%. Outro convênio, com o HSBC, que também será oficializado amanhã, vai garantir financiamento de projetos de exportação, com taxas de 8% ao ano.
"Ainda tem muito discurso e pouca ação, mas a situação está melhorando para as pequenas e microempresas", diz o presidente do Sindicato das Micro Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri. Além do Simples, que reduziu a carga tributárias dessas empresas entre 22% e 45%, ele disse que as taxas de juros hoje têm taxas menores. A entidade também está negociando a criação de um seguro, feito pelas seguradoras, para garantir o crédito.
O Simpi enviou em agosto ao governo uma proposta para aumentar as exportações com a simplificação da legislação. Uma delas, o aumento do limite de exportações pelos Correios de US$ 3 mil para US$ 10 mil, já foi anunciada no mês passado. Couri espera que o governo anuncie novas medidas na próxima semana.
Custo alto - Um estudo apresentado pelo consultor Michel Alaby, mostra que o custo de exportação é muito maior para valores pequenos do que para grandes quantias, porque a maior parte dos custos são fixos. Numa exportação de valor inferior a US$ 1 mil, os custos de exportação correspondem a 47,2% do total. Essa participação cai para 11,4% quando o volume exportado sobe para US$ 5 mil e chega a 2,7% para valores até US$ 25 mil.
"Se o governo desobstruir a burocracia para as pequenas empresas, as exportações nesse segmento podem crescer muito", diz Couri. Segundo ele, as pequenas respondem por apenas 2% das exportações brasileiros. Em outros países, a participação é muito maior. Na Itália, essas empresas respondem por 64% das exportações e nos Estados Unidos, por 54%.
O modelo italiano de apoio à pequena empresa é considerado um dos melhores do mundo. A Câmara de Comércio de Roma quer montar um grupo de empresas brasileiras para incrementar o intercâmbio comercial entre os dois países no âmbito da pequena empresa.
De um levantamento de mil empresas com produtos com qualidade de exportação, 150 já integram o grupo italiano, que está começando agora a fazer contatos no Brasil. "Queremos fazer um globalização diferente, ressaltando as diferenças entre as culturas, em vez de tentar padronizá-las", diz o representante da Câmara no Brasil, Nino Stasi.
Os representantes dos pequenos e microempresários também estão preocupados com o futuro do Simples, mas já receberam a garantia do governo de que o sistema não vai acabar com a reforma tributária. "Podem haver algumas alterações, mas a estrutura não vai mudar", diz o secretário-adjunto da Receita Federal, Edson Vianna de Brito.

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