Rio, 29 (AE) - O diretor do Banco Boavista Interatlântico, José Luiz Miranda, explicou hoje que a compra de dólares do banco, antes da alta do dólar, foi uma decisão tomada diante da previsão de que tanto o dólar quanto os juros subiriam, como reação inevitável do governo para evitar a saída de reservas e a crise cambial pela qual passava o País.
Miranda informou que o banco comprou "uma quantidade pequena" de dólares, para fazer o hedge (seguro contra oscilações de preços) dos investimentos do banco no mercado futuro de juros. "Estávamos expostos no mercado futuro de juros", lembrou Miranda. "Se os juros explodissem, iríamos perder", afirmou. O banqueiro disse não se lembrar do total de dólares comprados pela instituição.
O diretor- presidente do Banco Stock-Máxima, Antônio Geraldo da Rocha, disse que a tesouraria do banco " não apostou nenhum lote sequer" no mercado de câmbio. "Tradicionalmente, a tesouraria do banco já não apostava grandes lotes no mercado de câmbio - o máximo não chegava a 200", afirmou. "Desde outubro decidimos cancelar qualquer operação nesse mercado, pois com o nosso perfil teríamos pouco para ganhar em relação ao risco de perder" , ressaltou o diretor do Stock-Máxima.
Corretora - Rocha, no entanto, afirmou que a Stock-Máxima intermediou, como corretora, várias operações de compra de dólares por parte de grandes bancos, dias antes da desvalorização do real. "Atuamos fortemente como corretora nesse período, para a tesouraria de outras instituições", admitiu o executivo, que não quis citar nomes. Segundo Rocha, vários bancos reverteram suas posições, de vendido para comprado
ou passaram a comprar dias antes do dólar disparar.
O executivo chamou atenção, no entanto, para o fato de os bancos estrangeiros serem obrigados a fazer hedge, para garantir a remessa de seus lucros para a matriz. " Temos que levar esse fato em consideração, mas mesmo assim alguns bancos tiveram ganhos acima desse percentual de hedge", afirmou Rocha.
O diretor de apoio operacional do Bozano, Simonsen, Jurandyr Lopes, garantiu hoje que o banco não ganhou com operações de câmbio dias antes da desvalorização do real. Lopes disse não fazer parte da área que decide a estratégia da instituição no mercado de câmbio, mas destacou que na área operacional não teve conhecimento de apostas na desvalorização do real por parte da Tesouraria.
"Caso contrário, o banco estaria com um bom lucro", destacou. Quanto a possíveis apostas na desvalorização por parte dos fundos administrados pelo Bozano, Jurandyr Lopes ressaltou não ter certeza sobre as posições tomadas, mas disse acreditar que também não houve ganho nessa área. A área operacional do banco, que Lopes dirige, executa as ordens de compra e venda do Bozano,Simonsen no mercado de câmbio, na BM&F.

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