Bancos franceses e belgas acenam com manutenção de crédito
Paris, 12 (AE) - A exemplo dos bancos privados alemães, norteamericanos e ingleses, também os bancos franceses e belgas manifestaram sua "intenção de manter abertas suas linhas interbancárias comerciais e de depósitos no Brasil", no nível em que se encontravam no dia 28 de fevereiro, e até o dia 31 de julho, segundo solicitação feita pelo governo brasileiro.
Esse compromisso, envolvendo um valor de US$ 28 bilhões, é suficiente para garantir solução do problema do balanço de pagamentos de 1999, segundo revelou, em Paris, o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Isso ocorreu após diversos encontros hoje na sede do Banco da França, entre Malan e os representantes dos principais bancos com interesses no Brasil: Societé Générale, Paribas, BNP, Sudameris, Crédit Agrícole Indusuez, Credit Commercial de France
Generale Bank, KBC Bank, Natexis Bank, Banque Espirito Santo e Banco Europeu para a América Latina.
Representantes do Banco da França, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Tesouro francês assistiram às reuniões, que foram coordenadas por Jacques de la Rosiére, ex- diretor-geral do FMI e hoje consultor do Paribas. Esses bancos, segundo Malan, reúnem 90 % do total da exposição brasileira.
Com decisões semelhantes com outros parceiros brasileiros, o Brasil garante, assim, a solução para o seu problema de balanço de pagamentos em 99. Apesar disso, Malan espera aumento gradual da participação dos bancos estrangeiros, a partir de 31 de julho, depois de vencidos os seis meses do prazo solicitado e citado no comunicado dos bancos franceses.
Inicialmente, os bancos franceses concordaram com um prazo de apenas três meses, mas acabaram sendo convencidos a acompanhar os alemães e norte-americanos, que já haviam aceitado o prazo de seis meses.
Indagado sobre por que a escolha da data de 28 de fevereiro para fixar o nível de recursos, e não uma anterior, Malan explicou que o ideal seria agosto do ano passado, quando da moratória russa, "mas esse não é o mundo real que vivemos", tendo garantido que o compromisso obtido corresponde às necessidades dos pagamentos brasileiros durante esse ano, sendo esse o objetivo fundamental da negociação.
Segundo Malan, sua conversa com os banqueiros franceses e belgas foi muito franca, "olho no olho", e jamais houve nenhuma ameaça brasileira, pois essa não é a disposição brasileira. Isso porque alguns jornalistas estranharam a redação do comunicado dos bancos francesa, utilizando a expressão "ser intenção de manter as linhas interbancárias...", fórmula que poderia conduzir os bancos a não respeitar integralmente o compromisso, interrompendo-o , se for o caso.
Para Malan, isso não tem a menor importância, pois o compromisso será monitorado semanalmente no Brasil, com o apoio dos bancos centrais dos países envolvidos. Se algum banco cumprir o compromisso, o bc do país poderá agir.
Lembrado que ele mesmo prometeu esse monitoramento recentemente, mas isso não deu resultados, o ministro concordou, explicando que o BC, na época, não estava tão bem organizado como hoje. Ele definiu como mínimo o compromisso obtido com os bancos, podendo evoluir, mas é suficiente para honrar os pagamentos este ano.Por Reali Júnior e Sonia Racy (enviada especial) ATENÇÃO EDITOR: Como cortesia, distribuímos também aos assinantes do Noticiário Geral esta matéria produzida no exterior.





