Bancos devem fazer campanhas para estimular poupança
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de agosto de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 02 (AE) - Os bancos devem fazer, ao longo deste segundo semestre, campanhas publicitárias para estimular depósitos em caderneta de poupança. A previsão é do presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Anésio Abdalla, explicando que a poupança, a partir das últimas mudanças aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o crédito imobiliário, tornaram-se um "excelente negócio".
Na semana passada, o CMN reduziu de 70% para 60% o porcentual dos depósitos em poupança que os bancos devem repassar necessariamente ao setor imobiliário, liberando uma fatia maior de recursos para a própria instituição. "Esta medida visa a atender à realidade de hoje do mercado", disse Abdalla. Em junho, a poupança apresentou captação negativa (depósitos menos saques) de R$ 1,4 bilhão, segundo o Banco Central (BC). O saldo total da caderneta no fim de junho era de R$ 111,9 bilhões, o que representa uma queda de 3,2% em relação ao mesmo período de 1998.
"Esse índice não é preocupante", afirmou Abdalla. Segundo ele, os saques de 1998, somados aos deste primeiro semestre, não passam os novos depósitos feitos ao longo de 1997. "Mas é claro que eu não gosto de captação negativa", emendou o presidente da Abecip, certo de que as novas regras estimularão a construção.
De acordo com ele, os grandes bancos estão focados no varejo, o que faz do crédito imobiliário uma opção interessante de negócio. Ao possibilitar financiamentos à produção para imóveis de até R$ 180 mil, com juros anuais de até 10% (3 pontos porcentuais abaixo do cobrado), o CMN abriu espaço para "um excelente negócio". As regras para financiamentos de até R$ 70 mil - faixa que concentra a maior carência do mercado - são ainda mais favoráveis aos bancos à medida que cada 1 real direcionado para crédito imobiliário conta em dobro para atender ao requisito da exigibilidade de financiamento.


