Bancos de França e Holanda apóiam plano de renegociação forçada de eurobônus
Washington, 24 (AE) - As associações de bancos de França e Holanda deram apoio nesta sexta-feira (24) a um plano do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos governos da nações industrializadas para forçar os detentores de eurobônus a participar de reestruturação da dívida externa de países.
A associação dos banqueiros ingleses informou que seus membros estão examinando o assunto.
O plano, que será discutido este fim de semana por ministros de finanças e presidentes de bancos centrais antes da abertura oficial da reunião anual do FMI e do Banco Mundial poderá ser testado nas próximas semanas na renegociação da dívida do Equador, que deve entrar em situação de "default" em dívida em eurobônus na próxima semana.
As associações representativas do mercado de capitais denunciaram prontamente a iniciativa dos bancos franceses e holandeses. A International Securities Market Association (ISMA) e a International Primary Market Association disseram que, do ponto de vista prático, é quase impossível reestruturar eurobônus, que tiveram até agora um status superior a outros instrumentos de financimento externo disponíveis para países em desenvolvimento.
Ambas as associações advertiram que ações para facililitar a reestruturação desses papéis terão como consequência a redução do acesso das economias emergentes ao mercado de capitais. "Se você discriminar contra investidores em favor dos tomadores de empréstimos, estes terão dificuldades de retornar ao mercado e os juros aumentarão para todos os países emergentes", disse o principal executiva da IMSA, John Langton, em Londres.
Para o diretor da Associação de Bancos da Holanda, Hein Blocks
obrigar os detentores de eurobônus a participar das renegociações é uma questão de equidade entre credores. "Se os bancos têm que cooperar e dividir o fardo da reestruturação, é justo incluir todos os detendores privados de bônus porque não existe, em princípio, nenhuma diferença em suas posições", disse ele.
Nesta terça-feira, esgota-se o prazo para o governo de Quito pagar US$ 26 milhões de juros de sua dívida de US$ 6 bilhões em eurobônus, que venceram no mês passado. O não pagamento transformará o Equador no primeiro devedor soberano a dar um calote num eurobônus classificado por agência de avaliação de risco - e fazê-lo com o apoio tácito do FMI e dos governos dos países industrializados que controlam a instituição.
Sob intensa pressão da opinião pública desses países, depois das debacles financeiras do México e da ásia, para não mais usar dinheiro público para proteger credores privados, o FMI apoiou a decisão do Equador de suspender os pagamentos de sua dívida e buscar uma renegociação "amigável e abrangente" de suas obrigações externas com todos os credores. Há duas semanas, o Institute of International Finance (IIF), o lobby de empresas financeiras globais em Washington, atacou a nova postura do FMI, que é apoiada também pelo Banco Mundial.
"Eles parecem dispostos a colocar em jogo um princípio básico das finanças internacionais por causa de um país cuja capacidade para reformas é questionável", disse Charles Dallara, o diretor-gerente do IIF. O apoio da comunidade financeira oficial à renegociação da dívida do Equador, nos termos em que está sendo proposta, "marca, potencialmente, uma importante guinada" e representa "um fracasso de certos aspectos da estratégia de renegociação da dívida dos anos 90", acrescentou Dallara.
O temor do credores é que o caso do Equador vire precedente para outros países. A estratégia do FMI, que conta com o apoio do departamento do Tesouro dos Estados Unidos, é justamente evitar que isso acontença e tentar isolar o caso equatoriano, apostando na capacidade do mercado de diferenciar entre países.
O novo vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina, David de Ferranti, reiterou hoje esse cálculo. Ele disse que a reação até agora contida do mercado ao anúncio de não pagamento do Equador, no mês passado, sugere que a renegociação forçada da dívida do país não terá maiores repercussões para as demais economias da região. O governo brasileiro faz a mesma aposta.





