Bancos credores avaliam cenário russo para retomar negociações
Moscou, 19 (AE-AP) - Os bancos credores da Rússia iniciaram nesta segunda-feira (19) um processo de análise da capacidade do país para quitar os US$ 30 bilhões em dívidas da era soviética.
Representantes dos credores reunidos no Clube de Londres, liderados pelo Deutsche Bank, chegaram hoje a Moscou para avaliar as previsões de crescimento, receitas com exportações, arrecadação de tributos e variação das reservas internacionais do país, para subsidiar as conversas que devem ser retomadas no dia 3 de agosto, depois da aprovação do crédito de US$ 4,45 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Vamos analisar um horizonte de 20 anos", afirmou Parvoleta Shtereva, analista do MFK Renaissance. Segundo ele deverá ser avaliada também a dependência do país das exportações de petróleo e gás, além do fato de a produção industrial ter crescido 9% em junho, em relação a 1998, à luz da queda de mais de 70% no valor do rublo em relação ao dólar.
Já o FMI e o Banco Mundial revelaram hoje que o país poderá receber este ano um total de US$ 3,8 bilhões em novos créditos dos organismos internacionais. "Dessa forma", disse o negociador russo nessas instituições Mikhail Zardonov, "a Rússia poderá deixar de gastar suas reservas para honrar pagamentos externos".
Dois únicos complicadores foram divulgados hoje: o Orçamento russo para o ano 2000 prevê um dólar médio de 32 rublos, bem inferior a marca de 21,50 rublos fixada na proposta deste ano e aos 24,5 da média de flutuação atual.
Pior ainda, o chefe da Associação de Bancos Russos, Serguei Yegorov, enviou um documento ao presidente Boris Yeltsin, denunciando a rígida política do Banco Central e pedindo recursos para salvar instituições.





