Bancos começam a reduzir juros do cheque especial15/Mar, 20:18 Por William Salasar São Paulo, 15 (AE) - Bem mais rápidos do que na primeira redução do recolhimento compulsório sobre depósitos a vista, em setembro, os bancos começaram hoje a diminuir taxas de juros de cheque especial e outro tipos de empréstimos. O Bradesco puxou a fila, baixando o juro do cheque especial de 9,80% para 8,80% ao mês, já a partir de amanhã, juntamente com a taxa do crédito pessoal, que cai da faixa de 3 5% a 5%, para 3% a 4,5%. Seu maior concorrente, o Itaú, anunciou em seguida um corte de um ponto percentual, em média, sobre o limite de saque da conta corrente, semelhante ao cheque especial de outros bancos. A taxa básica do limite passa de 7,9% para 6 9%. "Na primeira vez em que o Banco Central reduziu o compulsório, a resposta levou uns cinco dias. Desta vez, apesar de que o banco só venha a obter o ganho da redução do compulsório a partir do dia 30, cerca de 1,5 milhão de clientes com cheque especial Bradesco se beneficiarão da redução dos juros imediatamente", disse Sérgio Socha, vice-presidente do conglomerado. Alguns bancos aderiram hoje mesmo ao corte de taxas. Outros, como Banco do Brasil, Banespa e Santander, decidiram cortar os juros, mas ainda estudavam qual seria a redução. O ABN-Amro reduziu a taxa máxima do cheque especial de 10,7% para 9,9%, mantendo em 6% a taxa mínima. Os juros de outros segmentos de crédito não foram alterados. O BBV Brasil reduziu a partir de hoje os juros do crédito direto ao consumidor (CDC) e do leasing. A taxa do CDC de 24 meses baixou de 2,42% ao mês para 2,29% . No leasing, a taxa caiu de 2,45% para 2,33% ao mês , também por 24 meses, o prazo mais comum das operações. O Unibanco, terceiro maior banco privado brasileiro, decidiu fazer a redução das taxas de forma diferenciada, beneficiando os clientes mais antigos, pontuais e com maior relacionamento, disse o diretor de Produtos do banco, Rogério Estevão. A medida vai beneficiar 570 mil clientes, que representam 60% dos correntistas com cheque especial do Unibanco e que receberão um desconto de 0,5 a 2 pontos porcentuais nas taxas a partir da próxima semana. O desconto deverá ficar acima de 1 ponto porcentual na média. A taxa máxima de cheque especial do Unibanco é de 9,9%s. "Como acabamos de reduzir a taxa máxima do cheque especial em fevereiro, a nova diminuição será de forma diferenciada", disse Estevão. Embora permita diminuir os juros, a redução do recolhimento compulsório, de 65% para 55% dos depósitos à vista, não resultará numa oferta de crédito muito maior, segundo o diretor de Assuntos de Tesouraria da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) Paulo Mallmann, do Bicbanco. Afinal, o montante liberado, de R$ 3,2 bilhões, representa apenas ou 1,2% dos R$ 262 bilhões de empréstimos bancários, segundo ele. "É óbvio que esse dinheiro não se transforma da noite para o dia em empréstimos. Mas, sem dúvida, aumenta a rentabilidade dos depósitos a vista, pois, aplicado em títulos públicos, o depósito a vista liberado gera interesse pelo correntista e, daí, causa competição entre as instituições, que vão disputar clientes oferecendo redução de tarifas e juros", disse Mallmann. Para o ex-diretor do BC José Júlio Senna, a queda de dez pontos é razoável. "Também não se pode mexer mais drasticamente na política monetária", afirmou, destacando que a medida ajuda a "despoluir" os mecanismos de transmissão da política monetária, sem o que a taxa de juros básica do BC não terá "impacto concreto e previsível lá adiante".

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