Bancos começam a reduzir juros
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez e Renata Rondino 
São Paulo, 09 (AE) - A redução de 75% para 65% da parcela dos depósitos à vista que deve ser transferida compulsoriamente para o Banco Central (BC) vai provocar queda nos juros cobrados nos empréstimos bancários de pessoas físicas. "As taxas vão cair, mas será um ajuste gradual", disse Ricardo Malcon, vice-presidente da Acrefi, associação que reúne as financeiras, para quem o mercado vai adequar-se a um aumento na oferta de recursos.
Segundo cálculos do próprio governo, até o dia 11 de outubro todos os bancos se ajustarão ao novo compulsório e o sistema financeiro terá recebido um adicional de R$ 3 bilhões. Por enquanto, as instituições estão se adaptando às recentes modificações feitas na alíquota do compulsório sobre o depósito a prazo, que caiu de 20% para 10% na semana passada.
Um dia após o Banco do Brasil ter anunciado uma ligeira redução de suas taxas, ontem foi a vez do Bradesco, maior banco privado nacional. O diretor-executivo do banco, Antônio Burani, disse que, a partir da próxima segunda-feira, o juro mensal do cheque especial, por exemplo, cai de 11,5% ao mês para 10,9%. No crédito pessoal, as taxas recuaram de 6% para 5,5% e o crédito pessoal instantâneo, que pode ser obtido nos caixas eletrônicos do Bradesco, tiveram suas taxas diminuídas de 5,5% para 4,9% ao mês. Burani informou, também, que o segmento de financiamento de veículos teve suas taxas móveis reduzidas de 2,8% a 4% para 2,5% a 3,8%. Por último, as taxas para desconto de duplicatas caíram de 3,5% para 3,4%. dos empréstimos.
O presidente do Banco do Brasil Paolo Zaghen reafirmou hoje que as taxas de juros para pessoas físicas cobradas pelo banco podem cair ainda mais com a decisão de ontem do BC, mas não quis dimensionar quanto nem quando. Mas um ajuste deve haver e as outras instituições tendem a acompanhar os líderes do setor
reduzindo o custo com parcimônia. O juro do cheque especial cobrado pelo Bradesco, por exemplo, caiu o equivalente a 6% ao ano, o que é pouco numa taxa de quase 250% ao ano.
Muito embora executivos e economistas do mercado destaquem a importância da decisão de ontem, eles observam que as decisões do BC fazem parte de um processo que vai resultar na queda mais significativa do custo dos empréstimos para o consumidor somente no médio prazo. "Com certeza, o governo vai reduzir ainda mais o compulsório sobre os depósitos à vista ainda este ano", observa o economista Cláudio Adilson Gonçalez, da MCM Consultores. Malcon, da Acrefi, concorda e acredita que futuras alterações possam ser feitas também na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), atualmente em 6%. Juntamente com o compulsório, a cunha fiscal é um importante item de custo do crédito, além do risco da operação.
O simples fato de haver um excedente de recursos no sistema não significa que os bancos tendem a aumentar a carteira de empréstimos, criando certa competição no sistema. "Se isso fosse verdade, as instituições estariam emprestando até pouco tempo atrás, quando o sistema estava com sobra de recursos", disse Adilson. Na prática, os bancos preferiam repassar os recursos para o próprio BC, sem correr nenhum tipo de risco, até porque também não há demanda por crédito.


