São Paulo, 02 (AE) - Os bancos começaram a estudar hoje possíveis reduções nos juros dos empréstimos, depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de baixar de 20% para 10% a alíquota do compulsório sobre depósitos a prazo.
Alguns bancos de varejo esperam anunciar mudanças nas tabelas de juros em 15 dias. Entretanto, a maior parte dos analistas não acredita em redução significativa, apesar da liberação de R$ 10 bilhões dos compulsórios que serão injetados no mercado.
Hoje, os compulsórios sobre depósitos a prazo já são remunerados, com aplicações em títulos públicos. "Esse dinheiro já está remunerado e os bancos ainda vão decidir se preferem continuar aplicando em papéis públicos ou emprestar", diz Carlos Kawall, economista do Citibank.
Levantamento feito sobre balanços de bancos pela Austin Asis mostra que, entre dezembro de 98 e junho de 99, o volume de créditos em atraso ou liquidação sobre o volume de créditos vigentes (regulares) diminuiu ligeiramente, embora ainda seja alto.
Em junho de 94, a porcentagem dessas perdas era de 1,7%. Em dezembro de 95, quando a crise do México atingiu o Brasil, provocando a ressaca dos primeiros anos de consumo movidos a crédito mal-administrado, o volume de perdas atingiu 5%.
O pico da inadimplência no Plano Real, de 5,9% por esse critério, foi sentido em dezembro do ano passado, depois que o BC havia elevado fortemente os juros por causa da crise russa. Em junho, esse porcentual já havia caído para 4,3%.
Os indicadores de curto prazo de inadimplência, pesquisados pela Serasa e por associações comerciais, estão recuando. Quarta-feira, a Associação Comercial de São Paulo divulgou queda de 14,8% no número de carnês em atraso em agosto em relação a julho.
A avaliação de outras instituições financeiras é semelhante. O diretor de produtos do Unibanco, Rogério Estevão, espera anunciar alguma mudança nos juros, no cheque especial e outros produtos com taxas mais altas, em cerca de 15 dias.
"É difícil prever uma queda brusca dos juros, não só por causa da inadimplência, mas também porque a demanda por crédito não está muito grande", diz Estevão. Outro problema, segundo ele, são os juros de longo prazo, que balizam o custo de captação dos bancos para empréstimos.
Os juros para prazo de sete meses, por exemplo, fecharam ontem na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) projetando 29,25%
bem acima da taxa Selic, de curto prazo, de 19,5%.

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