São Paulo, 08 (AE) - A atitude hostil das instituições financeiras internacionais privadas vai conduzir o Brasil à moratória da dívida externa, denunciou hoje o professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), Paul Singer. A ação dos grandes bancos não está em sintonia com o projeto de recuperação das economias debilitadas dos países emergentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), nem dos governos das nações mais ricas que compõem o G-7, afirmou o professor da FEA.
"Os banqueiros agem como jovens indisciplinados e isso deverá levar o País a ter de negociar uma moratória."
Singer, que participou de um debate promovido pelo Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), vê um grande potencial de crescimento da economia brasileira. Para que isso possa se concretizar, sugere a ruptura da política neoliberal pelo governo, abandonando os conceitos ortodoxos que prevaleceram desde a instituição do real. "Caso contrário, o Brasil terá de aguardar autorização do capital externo para retomar o desenvolvimento."
O principal obstáculo ao crescimento econômico pela regras atuais, segundo Singer, pode ser a dívida externa brasileira, especialmente a do setor privado. As empresas envidividadas em dólar podem até ter reais para quitar seus compromissos no exterior, mas o País não dispõe de divisas em volume suficiente para que esses recursos cheguem até os credores. "Com isso, o desenvolvimento do Brasil depende da conjuntura global e do retorno do capital estrangeiro."
O professor sugere que o governo brasileiro adote modelos já testados e aprovados no País, como o aplicado a partir de 1964, durante o regime militar. O Brasil, segundo Singer, pode crescer a uma velocidade semelhante à da China. Para isso, afirmou, basta baixar as taxas de juros e criar instrumentos para o financiamento da produção.
Ele não acredita que o crescimento acelerado estimule o avanço da inflação. Ao contrário, entre 1964 e 68, segundo lembrou, o País cresceu a um ritmo de 6% ao ano, mas não houve alta accelerada dos preços, declarou.
Singer disse que está otimista, uma vez que a opinião pública e até o meio acadêmico já começam a se conscientizar de que é preciso criar um novo ambiente favorável ao desenvolvimento. O professor não considera que a equipe econômica do governo tenha cometido erro ao manter o câmbio valorizado nos últimos quatro anos. Para ele, foi fruto de opção ideológica, pela abertura comercial e pela livre movimentação de capitais.
Segundo afirmou, o real encontra-se subvalorizado e o setor produtivo não dispõe de instrumentos para usufruir dos benefícios da mudança do regime cambial.
Fiesp - O debate promovido pelo PNBE também teve a participação da diretora do Departamento de Pesquisa Econômica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Clarice Seibel, para quem a retomada do crescimento econômico também se dará pelas exportações. Clarice concorda com Singer em que a falta de crédito às empresas impede a retomada das exportações.

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