Banco Postal será opção a quem não tem conta corrente
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por José Ramos 
Brasília, 7 (AE) - O Banco Postal, que será criado pela Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) dentro de dois anos, terá como principal atividade o pagamento de contas dos 45 milhões de brasileiros adultos que não possuem contas bancárias. O esclarecimento foi dado hoje pelo presidente dos Correios, Egydio Bianchi, em entrevista coletiva.
A captação de poupança popular, que poderá atingir US$ 6 bilhões em depósitos quando o banco estiver estruturado, será um subproduto do sistema, que está sendo denominado "giro postal". "Depois que o cliente pagar suas contas, poderão sobrar um ou dois reais, e ele poderá transferir para sua poupança", afirmou Bianchi. A denominação de giro postal deve-se ao fato de o dinheiro permanecer em operações virtuais no banco.
As próprias empresas poderão fazer o pagamento dos salários de seus funcionários em contas abertas no banco, e os mesmos poderão fazer saques em terminais de auto-atendimento. O banco não terá cheques. Os serviços do banco postal não terão tarifas para as pessoas físicas, e serão cobrados apenas das empresas.
Segundo Bianchi, o público alvo da empresa serão as pessoas na faixa acima da linha de miséria até a renda de R$ 300 00 mensais. O banco também deverá visar aos mais de dois mil municípios que não possuem agência bancária. "Nosso cacife é a capilaridade", avaliou Bianchi. Os correios possuem 12 mil pontos de atendimento, e em 2003 deverão ser 19 mil pontos, presentes em toda comunidade com mais de 500 habitantes.
Apesar do nome, o banco postal não será um banco propriamente dito, e sim representante de um banco ou de um grupo de bancos já estabelecidos no mercado. Seu papel de agente complementar do sistema financeiro nacional será melhor detalhado em resolução que está sendo elaborada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A primeira etapa do projeto do banco postal será a reestruturação dos serviços financeiros já prestados, como recebimento de contas, e envio de vales postais. Até o próximo ano, a empresa pretende padronizar os serviços oferecidos em todo o País, os procedimentos e estruturar uma rede de informática que será a base do banco. Os Correios já pagam as aposentadorias de 800 mil pessoas no Nordeste e deverão adquirir mais flexibilidade para exercer esta nova atividade, e para enfrentar a concorrências na área postal convencional, com a aprovação de um projeto de Lei enviado em 30 de junho ao Congresso. O projeto, entre outras coisas, prevê que, em 10 anos
acabará o monopólio da empresa sobre a entrega de correspondências, a parte menos rentável do negócio. Nesse período, a empresa se tornará uma sociedade anônima, mas continuará estatal.
O Banco Postal facilitará a entrada da empresa em serviços modernos destinados à classe média. O banco deverá servir de apoio para a criação de um shopping virtual dos Correios, semelhante às lojas eletrônicas existentes nas home pages dos grandes bancos, pelas quais os clientes compram de livros a ferramentas industriais. A vantagem do shopping virtual dos correios, segundo o presidente da empresa, é que todas as lojas conveniadas que oferecerem os serviços estarão também usando os serviços de entrega da estatal.O projeto do shopping já está sendo desenvolvido pelos técnicos da empresa.


