O Banco do Brasil descumpriu promessa de liberar ontem recursos para assentados, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manteve a decisão, anunciada anteontem pelo dirigente José Rainha Júnior, de fechar hoje agências no Pontal do Paranapanema (extremo-oeste do Estado de São Paulo).
A agência do BB em Teodoro Sampaio (710 quilômetros a oeste de São Paulo) se comprometeu a liberar o custeio agrícola (R$ 448 mil). As negociações emperraram na parte operacional do projeto de R$ 650 mil para investimentos. O gerente do banco no município, Ronald Allen Coulter, disse às 18 horas que não poderia autorizar a liberação de recursos sem assinaturas individuais de cada um dos 87 cooperados que seriam contemplados.
No dia anterior, o superintendente de crédito do BB no Estado, Sidnei Antonio Francisco, havia anunciado que os recursos estariam à disposição ontem. No início da noite, os dirigentes do MST convocaram cerca de 500 assentados para bloquear a agência do BB em Teodoro Sampaio e a do Banespa em Primavera, distrito de Rosana.
No Banespa, não havia sido fechado acordo para amortizar a primeira parcela de um financiamento de cerca de R$ 800 mil para programas de plantio de cana e de exploração de pecuária. A disposição do MST, segundo o presidente da Cooperativa dos Sem-terra no Pontal do Paranapanema (Cocamp), Walmir Rodrigues Chaves, é manter o bloqueio às agências com tratores e sem-terra até que os recursos sejam liberados.
O comandante da PM em Teodoro Sampaio, capitão Renato Ryukiti Sanomya, pediu reforço de policiamento para a base de Presidente Prudente. Ele não revelou o efetivo de homens que utilizará nas duas cidades.
O ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) acusou ontem fazendeiros e sem-terra da região do Pontal de quererem ‘‘produzir um cadáver’’. ‘‘Tem gente dos dois lados querendo produzir um cadáver. A crise está sendo insuflada’’, afirmou. Anteontem, o presidente do Sindicato Nacional dos Produtores Rurais, Narciso Clara, disse que os seguranças das fazendas da região vão ‘‘atirar para matar’’ na defesa das propriedades. A ameaça foi uma resposta à retomada das invasões de terras pelo MST nesta semana.
Sem citar nomes, Jungmann disse que os responsáveis pelo acirramento do conflito na região têm motivações políticas. ‘‘A reforma agrária é uma questão social, mas há quem queira tirar proveito eleitoral.’ O ministro afirmou que a crise atual é ‘‘artificial’’, citando como indício o clima de tranquilidade que encontrou no Pontal do Paranapanema há cerca de 15 dias. ‘‘Havia cerca de 1.000 militantes sem terra e ruralistas aplaudindo o que o governo está fazendo na região. Não estamos fazendo reforma agrária no Pontal? São 58 áreas, 65 mil hectares e 3.000 assentados.’
O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, disse ontem que o presidente não acredita que seja necessário o envio de tropas militares para conter a ação do MST no Pontal do Paranapanema ou outras regiões do País. ‘‘Os governadores estão conduzindo o problema e não solicitaram o envio de tropas militares’’, disse Cardoso. ‘‘O presidente acha que não é hora e nem virá a ser a hora de empregar o Exército’’, resumiu.
Cardoso criticou ainda a ameaça feita por integrantes do MST de invadir agências bancárias como forma de pressionar a liberação de créditos já aprovados para a reforma agrária. ‘‘Cada vez mais a liderança está mostrando que o objetivo não é a reforma agrária, que tem outros objetivos políticos’’, afirmou o general.

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