Banco Mundial revê previsões de crescimento para países em desenvolvimento
Washington, 07 (AE) - O Banco Mundial reviu suas previsões de crescimento para os países em desenvolvimento, inclusive o Brasil - desta vez para baixo. Segundo relatório divulgado hoje, o Produto Interno Bruto (PIB) dessas economias aumentará 4,9% ao ano, entre 2002 e 2008. No ano passado, os mesmos economistas estimavam um aumento maior, de 5,2%.
No caso da América Latina e do Caribe a queda é menor. O PIB da região aumentará 4,2% entre 2002 e 2008 (em vez de 4,4%). Entre os fatores que contribuíram para essa revisão negativa, o relatório cita a perda de confiança dos investidores, que afetará os fluxos de capitais, e um novo fenômeno: a fatiga de reforma (ou resistência popular às mudanças).
No caso do Brasil, além destes problemas, existe um terceiro - a falta de ajuste fiscal, que contribuiu para o alto déficit orçamentário, deixando o país em situação vulnerável.
"A fatiga de reforma é um fenômeno muito importante, como todos puderam perceber ao assistir às manifestações de rua em Seattle, contra a liberalização comercial", disse Uri Dadush, o principal responsável pelo relatório. Ele estava se referindo aos protestos de sindicalistas, ambientalistas e agriculturoes, que contribuíram para o fracasso da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), na semana passada.
Mas Dadush também alertou para os perigos da inércia no Brasil. "O déficit orçamentário no Brasil é o resultado da falta de reformas e o governo brasileiro infelizmente não tem outra opção: precisa fazer o ajuste fiscal, mesmo que tenha um custo social", explicou. Caso contrário, as consequências serão mais graves.
O relatório "Perspectivas Econômicas Globais 2000" destaca uma dessas consequências. "Um terço dos ganhos obtidos com o Plano Real, no que diz respeito à redução de pobreza, foram perdidos" com a crise financeira internacional. E o Brasil foi atingido pela crise em janeiro passado, graças em parte ao seu desequilíbrio fiscal.
Para o Brasil, o Bird prevê uma queda do PIB de 0,4% em 1999. Mas a economia voltará a crescer no próximo ano (2,5%) e em 2001 (3,5%). De 2002 a 2008, espera-se um crescimento anual de 4%. É quase o dobro da média alcançada entre 1991 e 1998, que foi de 2 6%, mas é menor do que o previsto pelo Banco Mundial no ano passado. Em 1998, esperava-se um crescimento de 4,2%.
O relatório ressalta que a recuperação inicial da crise financeira internacional foi mais rápida do que se esperava. Mas os números de crescimento econômico em 1999 e 2000, salientou, "escondem a fragilidade dos países em desenvolvimento".
Entre os fatores externos que podem afetar o crescimento futuro desses países estão o desaquecimento da economia dos Estados Unidos (cujo crescimento e dinamismo ajudou a minimizar os efeitos da crise), o aumento dos preços de petróleo (para importadores como o Brasil) e a queda dos preços das commodities (que tem um peso importante na pauta de exportações brasileira).
Os fluxos de capitais para países em desenvolvimento, entre janeiro e junho deste ano 1999, chegaram a US$ 13,9 bilhões - menos que os US$ 19,9 bilhões no mesmo periodo de 1998. Na América Latina e no Caribe caíram de US$ 9,8 bilhões (nos primeiros seis meses de 1998) para US$ 6,5 bilhões (no primeiro semestre deste ano).
O relatório também fez projeções sobre o aumento da pobreza, levando em conta dois cenários. O primeiro, pessimista, prevê que os países em desenvolvimento terão um crescimento econômico lento e as políticas adotadas aumentarão as desigualdades. O segundo, otimista, pinta um futuro no qual todas as medidas adotadas são corretas e produzem os efeitos desejados.
No cenário pessimista, o número de pessoas vivendo em situação de pobreza extrema (com menos de US$ 1 ao dia) aumentará de 1 198 bilhão, em 1998, para 1,241 bilhão, em 2008. No cenário otimista, o número de pobres cairá para 694 milhões, no mesmo periodo. Mas duas regiões - América Latina e áfrica Subsahariana - deixarão de cumprir as metas internacionais, mesmo no melhor dos cenários.
A meta era reduzir pela metade o número de pobres, de 1990 até 2015. Na América Latina e no Caribe, no cenário mais pessimista, o número de pobres aumentará de 78 milhões, em 1998, para 130 milhões, em 2008. No cenário mais otimista haverá uma queda mínima para 74 milhões.





