Banco Mundial prevê preços deprimidos para commodities agrícolas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 05 (AE) - O Banco Mundial divulgou hoje seu relatório trimestral de commodities agrícolas com previsões sobre o comportamento dos preços dos principais produtos agrícolas até 2010. A estimativa para a grande maioria das commodities é de preços deprimidos devido a um aumento de estoques e de queda na demanda mundial. O Banco Mundial estima que a recuperação dos preços virá apenas no longo prazo.
Para o açúcar, a previsão é de que os preços mundiais deverão atingir, em média, 6,5 cents por libra-peso em 1999, subindo para 7 cents em 2000 e 7,5 cents em 2001. Estes preços estão abaixo da média de 8,96 cents por libra registrados em 1997. "Se o padrão dos ciclos de preços passados se repetir, os preços do açúcar deverão permanecer baixos por vários anos antes de se recuperar", informa o relatório. O Banco Mundial projeta um preço médio de 10,46 cents por libra apenas para 2005 e de 11 36 cents por libra em 2010. Segundo o relatório, a safra atual de 1998/99 é a quarta consecutiva cuja produção excede o consumo.
Os preços do algodão devem ficar, na média, 58 cents por libra em 1999 e 60 cents por libra em 2000, segundo o relatório. Os preços registraram uma média de 65 cents em 1998 e foram projetados em 63 cents para 2001, 87 cents em 2005 e 93 cents em 2010. Baseado na queda de 25% na safra norte-americana de algodão, prevista do mais recente relatório do USDA, o Banco Mundial afirma que os preços poderão se recuperar já na próxima safra. Entretanto, apesar da baixa produção e de uma ligeira recuperação na importação de algodão no leste asiático, os preços continuarão fracos.
Para o milho, a estimativa é de que os preços fiquem em US$ 102 por tonelada em 1999 e US$ 108 por tonelada em 2000. Segundo o banco, grandes estoques de milho e outros grãos forrageiros combinados com a pequena demanda importadora global deixarão os preços em baixa em 1999. Segundo o banco, os estoques dos grandes países exportadores estão registrando seus maiores níveis em seis anos. Os preços do milho foram, em 1998, de US$ 102, que foi menor que os US$ 117,10 registrados em 1997.
Os preços mundiais do trigo foram estimados em US$ 128 por tonelada em 1999 e US$ 133 por tonelada em 2000 pelo Banco Mundial. Segundo relatório, os preços do trigo foram, em 1997, de US$ 126,10. O banco informa que os preços do trigo estão acima das baixas registradas em agosto de 1998 mas não devem subir muito porque as estimativas de estoques mundiais aumentaram e as importações estão menores que o esperado.
Os preços mundiais de soja foram estimados em US$ 200 por tonelada em 1999 e US$ 205 para 2000. A desvalorização da moeda brasileira, combinada com uma safra recorde de soja, fez com que os preços registrassem uma forte queda. O Banco Mundial informa que os estoques globais estão em seu nível mais elevado em 12 anos e com a estimativa de outra safra grande em 1999/2000 a pressão nos preços deve continuar. O banco estima que os preços do óleo de soja em 1999 atinjam os US$ 480 por tonelada e US$ 490 em 2000. Para o Banco Mundial, a grande safra de soja, a desvalorização brasileira e o excesso de estoques de óleos concorrentes também pressionará os preços do óleo de soja.
Para o café, a estimativa é de que os preços atinjam a média de US$ 2,31 por quilo em 1999 e US$ 2,43 por quilo no ano 2000 e os preços do robusta devem ficar numa média de US$ 1,63 por quilo em 1999 e de US$ 1,72 por quilo em 2000, indicou o Banco Mundial em relatório trimestral. O estudo indica que os preços do arábica ficaram numa média de US$ 2,98 por quilo em 1998 e devem chegar a US$ 2,36 em 2001, US$ 2,54 em 2005 e US$ 2 65 por quilo em 2010. A média de preços do robusta foi de US$ 1 82 em 1998 e deve chegar a US$ 1,76 em 2001, US$ 1,86 em 2005 e US$ 1,92 por quilo em 2010. As previsões do Banco Mundial levam em conta as estimativas de que a produção vai ser maior que o consumo na safra 1998/1999. "Com a expectativa que a produção supere o consumo em cerca de 8 a 9 milhões de sacas, os preços não devem se recuperar logo. Dependendo do tamanho da próxima safra, uma recuperação só pode acontecer no ano 2000", informou o relatório.
Os preços do cacau deverão atingir a média de US$ 1.344 por tonelada em 1999 e US$ 1.450 em 2000. Os preços registraram uma média de US$ 1.390 no primeiro trimestre de 1999, o que representa uma queda de 12% ante o trimestre anterior e uma queda de 17% ante o primeiro trimestre de 1998. A previsão do banco é de que os preços do cacau atinjam US$ 1.600 em 2001, US$ 2000 em 2005 e US$ 2100 em 2010.
Os preços de óleo de palma devem registrar a média de US$ 500 por tonelada em 1999, 2000 e 2001, segundo relatório do Banco Mundial. O relatório projeta um preço de US$ 450 para 2005 e US$ 460 em 2010. O Banco Mundial acredita que, devido a redução da taxa de exportação da Indonésia e ao favorável desenvolvimento do plantio, os preços não devem atingir os níveis verificados em 1998. O preço do óleo de palma ficou em US$ 671 em 1998.


