Recife, 23 (AE) - Uma equipe do Grupo de Inspeção do Banco Mundial (Bird) começou hoje, no Recife, a verificar as denúncias feitas pelo MST em relação ao Programa Cédula da Terra
financiado pelo banco e que funcionou como uma experiência piloto do Banco da Terra, instituído recentemente pelo Governo Federal.
O MST pediu ao Bird a suspensão do repasse dos recursos, alegando, entre outras coisas, mau uso do dinheiro, supervalorização do preço das terras adquiridas pelo programa e incapacidade técnica dos trabalhadores pagarem pela terra. Através do programa, que segundo o MST caracteriza uma "reforma agrária de mercado", o governo adquire as terras e as vende a associações de trabalhadores rurais com três anos de carência e prazo de pagamento de 20 anos com 4% de juros anuais.
O secretário executivo do Grupo de Inspeção do Bird, Eduardo Aboutt, recebeu hoje um relatório com todos os dados sobre a execução do Cédula, em Pernambuco, em reunião no Pró-Rural - órgão do governo estadual que gerencia o programa - e pretendia visitar quatro assentamentos nos municípios de Gravatá e Bezerros (no agreste) e Goiana e São Lourenço da Mata (na zona da mata).
Depois, a equipe vai para o Ceará, Bahia e Brasília. Aboutt disse ser muito cedo para uma avaliação e adiantou que se as denúncias forem confirmadas, será recomendada uma investigação mais profunda ao conselho administrativo do banco. Ele frisou que o seu trabalho não é de avaliação do projeto em si. "Estamos verificando se há algum problema de conduta do pessoal do banco", afirmou. "O Bird tem uma política social, econômica e de meio-ambiente que não pode ser contrariada".
O diretor do Pró-Rural, Abdias Vilar, disse que o Cédula da Terra adquiriu, no ano passado, 20 áreas, num total de 13,6 mil hectares, onde foram assentadas 713 famílias. Ele garantiu que os preços de compra foram todos abaixo das cotações de mercado, ficando abaixo, inclusive, dos preços médios adotados pelo Incra e pela Fundação Getúlio Vargas.
Vilar observou que os assentamentos foram realizados no segundo semestre do ano passado e ainda têm uma situação produtiva precária. Dos R$ 3,1 milhões do programa destinados a crédito de investimento dessos 20 assentamentos, R$ 2,5 milhões foram liberados ainda no ano passado. Os R$ 600 mil restantes estão sendo repassados mediante acompanhamento dos projetos por pessoal técnico. Em 1999 não foi adquirida nenhuma área porque o programa não recebeu recursos.

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