São Paulo, 28 (AE-Dow Jones) - Os grandes estoques mundiais estão impedindo qualquer recuperação dos preços do açúcar no curto prazo, informou hoje o Banco Mundial em seu relatório trimestral sobre os mercados de commodities. "Os preços do açúcar subiram cerca de 3% no trimestre, mas o mercado enfrenta o crescimento dos estoques mundiais, que bloqueiam a alta nos preços, que devem cair nos próximos meses e continuar baixos por vários anos", informou o Banco Mundial. O leve aumento de preços no terceiro trimestre deve fazer o preço médio do açúcar demerar a subir para 6,27 cents por libra em 1999.
Em seu relatório do segundo trimestre, o Banco Mundial havia projetado um preço médio de 5,94 cents/libra em 1999. Apesar da revisão para cima, a expectativa continua sendo de que os preços fiquem abaixo do preço médio de 1998, de 8,95 cents/libra, continuando a tendência de queda que os preços enfrentam desde 1995, quando a média era de 13,3 cents, de acordo com o relatório.
Em 2000, os preços do açúcar devem se reduzir para 6,00 cent/libra devido aos maiores estoques mundiais e à maior produção do Brasil, segundo o Banco Mundial. O relatório de hoje citou as estimativas de estoques de açúcar da Organização Internacional do Açúcar (OIA), sediada no Reino Unido, que mostrou os estoques aumentando para 65,8 milhões de toneladas em 1998, contra 59 milhões de toneladas em 1997. Os estoques cresceram com um ritmo mais do que duas vezes superior ao do consumo no período, destacou o Banco Mundial.
Além disso, o Brasil continua expandindo sua produção de açúcar e, com a desvalorização do real, vende açúcar a preços tão baixos que outros países produtores podem ser expulsos do mercado, afirmou o relatório. O Brasil, que é maior produtor mundial de açúcar, agora responde por 25% das exportações mundiais, de acordo com o Banco Mundial. Em 2001, os preços da commodity devem ter uma leve recuperação para 6,5 cents/libra, e a previsão para 2005 é de 10,0 cents e 11,4 cents em 2010, de acordo com o relatório.

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