Banco Mundial apresenta panorama pessimista para emergentes.
Washington, 07 (AE-ANSA) - O Banco Mundial apresentou hoje (07) em Washington relatório que dá um panorama pessimista a médio prazo para os países em desenvolvimento, indicando até que a crise nos mercados emergentes pode piorar e se prolongar.
Em seu informe sobre os fluxos mundiais de financiamento para o desenvolvimento, o organismo financeiro diz que "a plena recuperação é improvável antes do ano 2001".
O Banco Mundial antecipa para este ano um magro crescimento de 1,5% no mundo em desenvolvimento - o mais baixo desde a recessão de 1982 - incluindo uma baixa de 0,8% no PIB latino-americano.
"Este prognóstico bastante realista reflete um menor crescimento do comércio, a brusca queda dos preços dos produtos básicos e a contração do financiamento a longo prazo", disse Joseph Stiglitz, primeiro-vice-presidente e economista do Banco Mundial.
"A crise é mais profunda do que antecipávamos há três ou quatro meses", disse Uri Dadush, diretor de perspectivas sobre desenvolvimento do Banco Mundial. A crise financeira mundial, iniciada na ásia, se propagou para a Rússia e afetou muito o Brasil, reduziu o crescimento do comércio mundial a 4,6% em 98, enquanto os preços dos produtos básicos de exportação - sem incluir o petróleo - caíram 16%.
Paralelamente, os fluxos financeiros de capital para os países em desenvolvimento caíram dos US$ 136 bilhões de 1997 para US$ 72 bilhões, quando bancos e investidores privados se retiraram dos mercados emergentes. O organismo considera, contudo, que diminuiu o risco de uma recessão mundial profunda após a redução das taxas de juros dos países industriais e a adoção de estímulos fiscais no Japão.
O panorama é claramente recessivo na América Latina, onde se produz uma severa contração no Brasil que afeta já vários países vizinhos. A região, que havia crescido 5,1% em 97, se expandiu 2% em 98. Para este ano, o Banco Mundial acredita em uma contração de 0,8% e projeta crescimento modesto de 2,5% do PIB em 2000 e 3,9% em 2001.
O organismo financeiro internacional lembra ainda que o investimento estrangeiro direto continuará sendo a principal fonte de capitais privados na região. O documento observa que "a incerteza que rodeia os fluxos de capital continuará sendo grande, por causa dos preços baixos dos produtos básicos, o insignificante crescimento do comércio mundial e a situação econômica do Brasil".
Segundo o documento, o Japão - o país rico com maiores problemas econômicos - adotou medidas de estímulo fiscal e reestruturação que deveriam aumentar a demanda mundial. Contudo, assinala o documento, o país asiático segue em recessão, com poucas esperanças de recuperação a curto prazo.
Estados Unidos, por sua vez, crescerão 3,1% em 99 e 2,1% em 2000. A desaceleração na Europa, contudo, não deve durar muito. Ao lado da América Latina, as maiores revisões recaem sobre os países exportadores de petróleo e a ex-União Soviética.





