Dimitri do Valle
De Curitiba
As agências do Banco do Brasil no Paraná receberão a partir da próxima semana uma linha de crédito de R$ 30 milhões para custear áreas de plantio de novos assentados e pequenos agricultores. O dinheiro virá do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e vai servir para custear a safra de verão 1999/2000. A previsão é de que 14 mil famílias recebam cerca de R$ 2 mil para comprar sementes, insumos e combustível.
O anúncio da verba era esperado desde a semana passada. Agricultores e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam 22 agências do Banco do Brasil no Estado para pressionar o Incra a liberar recursos para a próxima safra. A chegada do dinheiro fez os manifestantes saírem dos prédios na quarta-feira, quando o acerto foi firmado em Brasília na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Novos assentados e agricultores que estiverem pagando financiamentos agrícolas com teto de R$ 9,5 mil terão direito aos recursos. Quem ultrapassou o limite também poderá ter acesso a nova linha de crédito. Lideranças do MST no Estado viram com ceticismo a liberação dos recursos. ‘‘Esperamos que seja verdade. Essa posição de dúvida é porque outros compromissos já foram assumidos e nunca foram cumpridos’’, disse Roberto Baggio, da coordenação estadual do MST.
Assentamentos Os sem-terra que estão em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba, também participaram ontem à tarde de mais uma rodada de negociações no Incra sobre novos assentamentos. O superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, anunciou que até final de novembro quer ver regulamentados os decretos de desapropriação de 26 mil hectares de terra no Estado. As áreas já são ocupadas por cerca de 1.200 famílias de sem-terra. Os processos foram remetidos para Brasília. Vieira disse que a meta do Incra é beneficiar até 1.500 famílias nestes locais.
Vieira informou ainda que a Fazenda São Jorge, em Nova Cantu (120 quilômetros ao sul de Campo Mourão), está pronta para receber 70 famílias. ‘‘O proprietário já autorizou a entrada das famílias antes do decreto de desapropriação’’, informou. Outra compromisso do Incra é prosseguir com as vistorias de novas áreas até o fim do ano.
A expectativa dos sem-terra antes da reunião era de que o Incra pudesse assentar de imediato cerca de mil famílias a partir deste mês. O MST exige pressa na desapropriação de nove áreas invadidas onde se concentram cerca de 4 mil famílias. Técnicos do Incra informaram apenas durante o encontro de ontem sobre os andamentos dos processos judiciais e ambientais destas áreas. ‘‘De prática mesmo, temos apenas uma área para assentar. Cada audiência é muito discurso, muito promessa’’, reclamou Ireno Prochnow, do MST. A próxima reunião em Curitiba entre Incra e sem-terra foi marcada para o dia 27 deste mês.
Com exceção da Fazenda Araupel, no município de Porto Barreiro, onde o proprietário não quer negociar a venda da área, o técnico do Incra em Brasília, Pedro Tomaz de Oliveira, disse que resta ao Incra prosseguir com os processos de desapropriação das demais oito fazendas.Pequenos agricultores terão acesso à linha de crédito do Programa Nacional de Agricultura Familiar para custeio da safra de verão
Paulo WolfgangCréditoLavradores ligados ao MST e pequenos agricultores fizeram manifestações em agências do Banco do Brasil em todo o Estado: dinheiro para o plantio

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