Banco Itaú é o último empecilho para acordo no Rio
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por César Felício 
Brasília, 07 (AE) - O Banco Itaú está sendo, no momento, o último empecilho para que os governos do Rio e federal fechem o acordo para a renegociação global da dívida do Estado.
Comprador do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), o Itaú argumentou, na semana passada, que não poderia aceitar o abate de R$ 3 bilhões da dívida fluminense com a transferência para o caixa do Estado de um empréstimo depositado na Caixa Econômica Federal (CEF) neste valor para eventuais débitos previdenciários com funcionários do Banerj, uma vez que o banco participou do leilão de privatização da instituição com a condição de não se submeter a riscos.
"O Itaú não aceita risco, a não ser que o Banco Central (BC) ofereça garantias em troca dos R$ 3 bilhões", afirmou o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado (CAE), Ney Suassuna (PMDB-PB), que está intermediando as negociações. Segundo Suassuna, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), afirmou que 99% dos funcionários do antigo Banerj optaram por se integrar ao fundo previdenciário estadual, mas o Itaú pôs em dúvida este porcentual.
Hoje, o subsecretário de Fazenda do Rio, Mário Tinoco, reuniu-se no Senado com o diretor do BC responsável pela reestruturação dos bancos estaduais, Carlos Eduardo de Freitas, para tentar um acordo sobre o tema, que é o último ponto a ser acertado entre o governo estadual e o federal, mas a reunião não foi conclusiva.
"O Banco Central ainda está avaliando o tamanho dos riscos potenciais e teóricos para o Banco Itaú com a operação proposta; só depois de termos uma avaliação precisa iremos retomar os contatos com o Itaú", disse Freitas. De acordo com o diretor do BC, que assumiu recentemente a função com a ida do antigo diretor, Paolo Zaghen, para a presidência do Banco do Brasil (BB), por enquanto, só há "a visão global do problema, sem conhecer os detalhes".
Além do Distrito Federal, o Rio é o único Estado que ainda não firmou acordo de federalização da dívida com a União e
segundo Suassuna, corre contra o tempo. "Em dezembro, vencem cerca de R$ 200 milhões em títulos estaduais e o Estado não terá como pagar sem o acordo, caindo na inadimplência", disse.
O senador disse que uma inadimplência do governo fluminense terá um forte impacto sobre o governo federal. "O Banco do Brasil está carregando R$ 10 bilhões em papéis do governo do Rio de Janeiro em sua carteira, e todo mundo sabe o que estes papéis valerão se parte deles, ainda que pequena, não seja honrada", afirmou.


