Brasília, 11 (AE) - O Banco do Brasil (BB) ainda tem R$ 3 bilhões em dívidas da área rural, apesar de todos os programas de renegociação de débitos que o governo fez com os produtores. De acordo com o diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição, este é o total que não entrou na securitização, no programa especial de saneamento de ativos (Pesa) e nem no Recoop (Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias).
Maior agente do crédito rural brasileiro e tendo dois terços de seus créditos aplicados na área rural - cerca de R$ 20 bilhões -, o BB quer propor uma agenda positiva para o setor agrícola, segundo o presidente do banco, Andrea Calabi. "Não é razoável que a agricultura continue apresentando problemas na próxima década, pois este é um setor muito importante", disse Calabi a um grupo de parlamentares da comissão de agricultura da Câmara ontem.
Para o diretor Ricardo Conceição, não dá mais para ficar discutindo o passado, como defendem alguns parlamentares da bancada ruralista e entidades de classe. Ele afirma que o Banco do Brasil não apóia a demanda do setor de prorrogar, mais uma vez, este ano, a parcela da securitização dos débitos rurais. "Os cálculos foram pactuados dentro das regras e agora alguns querem fazer recálculo e mudar o que foi definido lá atrás", disse.
Conceição informou que em 1997 o banco conseguiu receber apenas 50% dos débitos da securitização e no ano passado, somente 25% de um total anual de cerca de R$ 800 milhões. Ele defende a análise caso a caso da situação dos agricultores que securitizaram suas dívidas a cada ano. "Se o agricultor perdeu a safra, temos de olhar a situação dele", observa.
Mas no ano passado, por exemplo, quando a data do pagamento da securitização - 31 de outubro - coincidiu com o período eleitoral, disseminou-se a idéia, segundo o diretor, de que o governo havia prorrogado a quitação da parcela e só deveria pagar quem quisesse ou pudesse. Com isso, o recebimento no BB - que responde por cerca de 75% da securitização - foi reduzido à metade. Conceição avalia que os movimentos para a prorrogação do pagamento atrapalham o fluxo normal do relacionamento entre o banco e os clientes.
"Vejo que em algumas agências 100% dos produtores têm recursos na poupança, mas se sair alguma definição de que o governo vai prorrogar o pagamento, o devedor arranja uma forma de dizer que seu dinheiro já está comprometido com fornecedores", avalia.

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