Banco do Brasil quer ampliar base exportadora
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 24 (AE)- O Banco do Brasil deverá lançar dentro de duas semanas mais um instrumento de apoio ao comércio externo, o Programa de Apoio às Exportações (PAE). Este programa
segundo o superintendente-executivo da área internacional do BB
Rubens Amaral, tem como objetivo atender as empresas que ainda não exportam ou já exportaram até US$ 1 milhão. "Com esse programa queremos ajudar a ampliar a base exportadora, oferecendo a consultoria técnica e os recursos do BB", afirma.
O novo programa foi concebido a partir da constatação de que no ano passado, das 14.147 empresas que exportaram mercadorias brasileiras, 80,8% limitaram suas vendas em US$ 1 milhão. Apesar de terem uma participação elevada, essas empresas responderam por apenas 3,1% dos US$ 51 bilhões que o País exportou. Segundo os dados do Banco do Brasil, o grosso das exportações foi feito por somente 226 empresas (1,6%), com faturamento anual acima de US$ 40 mil, enquanto 2.475, com faturamento entre US$ 1 milhão e US$ 40 mil, responderam por 17 5% da totalidade das vendas externas.
O PAE também vem no rastro de outro programa bem sucedido lançado pelo BB no final de 1997, segundo Rubens Amaral
o Programa de Geração de Negócios Internacionais - PGNI, que selecinou 2,8 mil pequenas e médias empresas exportadoras atuantes ou com potencial exportador em 11 estados brasileiros. De 80 gerentes especialmente treinados em comércio exterior, as empresas obtiveram, por exemplo, informações sobre como exportar e obter financiamentos. Entre os produtos exportados por pequenas empresas no ano passado, com a assessoria do PGNI, Rubens Amaral cita cerâmica, software, vidros laminados, portas de madeira e têxtil.
A intenção, segundo Rubens Amaral, é a de que o BB, por meio do Programa de Apoio às Exportações, atue em parceria com a Agência de Promoção de Exportações (APEX) e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Independentemente dessas parcerias, o BB vai ofertar suas próprias modalidades de financiamento via Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e pelas linhas destinadas a ACC (Adiantamento sobre Contratos de Câmbio) e ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues). Como exemplo, Rubens Amaral diz que o BB e a APEX vão atuar juntos na estruturação dos consórcios destinados à exportação, que estarão à disposição dos empresários a partir da semana que vem. Nesse caso, a APEX financiará a estruturação do consórcio, e o Banco do Brasil oferecerá consultoria técnica para que a operação de exportação seja feita corretamente.
Com relação ao BNDES, Rubens Amaral informa que o BB vai intensificar a sua atuação como agente repassador dos recursos da linha Pré-Embarque Especial, destinada a capital de giro de pequenas empresas, para que elas possam ter recursos para financiar a produção destinada ao mercado externo. Nessa linha, ele explica que as empresas terão até dois anos para pagar o financiamento, que terá juros corrigidos pela Libor (Taxa Interbancária de Londres) acrescidos de 5% a 6% ao ano. Para estimular as empresas, o BNDES ampliará os recursos para aquelas que cumprirem o prazo e aumentarem as exportações. Em contrapartida, aquelas que não cumprirem seus compromissos com o Banco, serão penalizadas com juros mais altos.
Além dessas linhas de atuação, Rubens Amaral informa que o Banco do Brasil também está investindo na criação de "salas de negócios internacionais". A primeira delas foi criada há um mês na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a próxima será instalada na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). Ele explica que, nessas salas, o empresário encontra, no seu próprio ambiente, todas as informações de que necessita para exportar, prestadas pelos técnicos do Banco em comércio exterior. "Nossa intenção é a de instalar salas de negócios em todos os Estados onde existam empresas com potencial exportador", afirma.


