Banco do Brasil emite CPR de R$ 2,94 milhões para algodão
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Renato Stancato 
São Paulo, 26 (AE) - O Banco do Brasil assina hoje a primeira emissão de CPR de algodão do ano. A cédula vai financiar a venda de 1.000 toneladas de algodão de um produtor de Chapadão do Sul (MS) para a fiação Minasa, localizada em Amparo, Interior de São Paulo. É um lote de algodão tipo 5/6-6 de fibra 30-32 mm com entrega marcada para 30 de julho. O valor da emissão é de R$ 2,94 milhões, o que aumenta em 21% o total de recursos com CPR liberados pelo Banco do Brasil desde que o instrumento foi lançado. De 1997 até hoje, o BB liberou R$ 14 milhões para CPRs do produto. A taxa de aval ao produtor é de 0 55%/mês, o que significa encargos de 2,18% da emissão ao resgate da cédula.
O Banco do Brasil não está financiando apenas o produtor. A Minasa recebeu financiamento para a compra do produto, com vencimento nos meses de setembro, outubro e novembro. A taxa praticada é de 8,75%, a ser cobrada a partir da data de emissão.
O superintendente do Banco do Brasil no Estado de São Paulo, José Maria Rabelo, afirmou que a instituição pretende popularizar o uso da CPR como ferramenta de financiamento. Ele admite que a cédula ainda é pouco usada no mercado. "Mas desde que exista um produtor que se enquadre nas condições do banco, não há problema para fechar a operação", disse. Rabelo considera passíveis de aval produtores que tenham tido uma "relação sem problemas" com o banco nos últimos anos e que sejam veteranos na atividade.
"O mesmo se aplica à indústria", afirmou Rabelo. "Estamos oferecendo juros de crédito rural para as empresas que tiverem condições de receber o financiamento", observou. O pagamento que o produtor está recebendo na CPR é equivalente a R$ 1,33/libra-peso. No entanto, o negócio foi fixado em dólar, informa Antônio César Antonioli, que é o procurador do produtor Josué Corso Neto. "O que acordamos com a indústria é um valor de US$ 0,62/libra base 6", explicou Antonioli. "Dependendo da movimentação do câmbio, ou eles pagam a diferença, ou quem paga a diferença somos nós", afirmou o procurador.
O produtor Josué Corso Neto espera produzir 6 mil toneladas de algodão nesta safra. Para Antonioli, é inconveniente vender mais do que isso ao preço deste negócio. "Como está faltando crédito para importação e o Brasil não é auto-suficiente, acho que a tendência do mercado é altista", avaliou. O superintendente da Minasa, Luiz Sieh, afirmou considerar o negócio oportuno. "O maior problema da indústria é o capital de giro, que foi resolvido com este financiamento do Banco do Brasil", disse Sieh.
Embora o preço praticado pelo mercado atualmente seja inferior ao do contrato, Sieh reiterou que a negociação foi vantajosa para a empresa. "Garantimos de antemão o abastecimento a partir de um fornecedor confiável, e não dependemos dos riscos da importação", alegou. A Minasa produz mil toneladas de fios por mês, e seu presidente espera ter uma colocação mais fácil este ano.
"A desvalorização cambial foi ótima, e inclusive esperamos retomar as exportações", afirmou. A empresa, que já exportou até 30% de sua produção, viu os negócios declinarem ao longo do Plano Real. Em 98, suas exportações só montavam 5% da produção. "Esperamos melhorar o desempenho para 25% este ano", disse Sieh.
Os preços do algodão no mercado brasileiro neste fim de entressafra estão abaixo do valor do contrato entre Corso e a Minasa. O indicador Esalq apontava o preço médio do algodão em R$ 1,1269/libra ontem, contra os R$ 1,33 da CPR. Para operadores de mercado, a tendência do preço é cair à medida em que a entrada da safra paulista, paranaense e sul-matogrossense for se intensificando, em março.
Em julho, a aposta é de que o preço só suba em caso de quebra de safra. "Hoje, está sendo possível fixar preço para entrega de produto para julho a US$ 0,55/libra com pagamento na hora da entega", comentou um corretor paulista. Esta fonte acredita que o preço do negócio já havia sido fixado pelas partes em 98, quando os preços de fixação futura estavam nestes patamares. "Aparentemente, o que eles fizeram foi calçar a venda em CPR para se financiar."


