Banco de Pele Humana do PR já está funcionando
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quinta-feira, 01 de agosto de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O primeiro Banco de Pele Humana (BPH) do Paraná já está em funcionamento no Hospital Evangélico, em Curitiba. Inaugurado em junho, logo após receber o aval do Ministério da Saúde para começar a funcionar, a instituição está processando e armazenando material que já foi recolhido de pelo menos quatro doadores da região da capital.
O espaço foi inaugurado oficialmente ontem e está integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e diretamente ligado à Central Estadual de Transplantes. Este é o quarto banco de pele do Brasil. Outros estão em funcionamento em São Paulo, Recife e Porto Alegre.
A pele transplantada funciona como um curativo biológico. Apresenta vantagens como a redução das complicações de graves queimaduras, do tempo de internamento, do uso de antibióticos, do sofrimento do paciente e principalmente do risco de morte.
O processo de doação de pele é semelhante ao de outros órgãos. As camadas mais superficiais são retiradas cirurgicamente, tratadas e transplantadas. Geralmente é retirada a pele das coxas e das costas. No entanto, segundo José Eduardo Viana, coordenador do Banco de Pele do Evangélico, não há nenhum tipo de consequência na aparência do doador, uma vez que a camada retirada é muito fina.
Do momento da retirada até que esteja pronta para o transplante, a pele fica entre 45 e 60 dias armazenada para que possam ser realizados vários testes a fim de descartar qualquer contaminação. Uma vez preparado, o material congelado pode ficar no banco por até dois anos.
"Vários pacientes queimados agora terão a possibilidade de um tratamento de primeiro mundo. Em casos de grandes queimaduras é a diferença de manter-se vivo ou morrer. Já tivemos pessoas que permaneceram um ano internado e passando por cirurgias a cada dois, três dias na semana, fazendo curativos, até que tivessem condição de fazer o transplante com a própria pele. Com o banco poderemos começar a fazer o tratamento dentro de uma semana ou em até dez dias depois do acidente e a recuperação será melhor e menos sofrida", explicou.
O pediatra ainda lembra que para casos mais graves de queimaduras é necessário usar uma maior quantidade de pele, o que demanda mais doadores. Viana também destaca que nem toda pele captada é usada porque no meio dos processos, caso uma infecção for constatada, ela tem que ser descartada.
"As pessoas estão acostumadas a autorizarem a doação de rim, coração, córneas, e quando falamos em pele ainda existe uma certa resistência. Apenas uma camada fina é retirada do doador cadáver, ficando imperceptível aos olhos durante um velório, por exemplo. Sem dúvida terá que ser feita uma campanha de conscientização", ressaltou Viana.
Para Arlene Badock, diretora da Central Estadual de Transplantes, o banco vai fazer uma grande diferença não só para o Paraná, mas para outras regiões. Na tragédia ocorrida na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro, por exemplo, quando 242 pessoas morreram e centenas ficaram feridas, o governo brasileiro teve que solicitar estoque de pele para enxertos da Argentina, Uruguai e Peru.
"O Evangélico é um dos maiores centros de tratamento de queimados da região Sul e nós sempre temos muita necessidade de pele, apesar de outros bancos suprirem. Além disso, o banco vai pode suprir a demanda de outras instituições, como o HU de Londrina, também referência no atendimento a queimados", destacou.
A princípio, conforme Arlene, a captação está sendo realizada somente na região de Curitiba, mas a ideia é estender o procedimento para todo o Estado. "É preciso que novas equipes vinculadas ao banco do Evangélico sejam treinadas para que a captação seja feita em outras regiões do Paraná", completou.
O Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Evangélico realizou em 2012 682 cirurgias, além de 448 enxertos, 3.249 procedimentos cirúrgicos. Em 2013 foram 302 cirurgias, 165 enxertos e 2.377 novos casos de urgência e emergência.


