Curitiba - O Banco de Tecidos Músculo-Esqueléticos do Hospital das Clínicas (HC) em Curitiba corre o risco de fechar as portas por falta de doadores. Segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Paraná, Arlene Badoch, existem no Brasil apenas dois grandes bancos de ossos: um no Paraná, o do HC, e o outro no Rio de Janeiro. Cerca de 40 hospitais no Estado são credenciados para a captação de ossos, mas, segundo estimativas da Associação Brasileira de Transplantes Ósseos (ABTO), a necessidade pelo transplante aumentou de 25% a 30%. O ortopedista e presidente do Banco de Tecidos do HC, Gerson de Sá Tavares Filho, informou que a média mundial de doação é de um doador entre 30 notificações de óbito. No HC, morrem cerca de quatro pessoas por dia, mas, raramente, uma delas é doadora.
Para o ortopedista, o problema da falta de ossos se deve a três fatores: a falta de notificação de óbitos, por parte dos hospitais, à Central de Transplante; o tipo de abordagem que é feita à família no momento em que os captadores de doações dos hospitais solicitam a doação; e o preconceito das pessoas em relação à doação de ossos. Segundo Tavares, há uma resistência muito grande em doar qualquer tipo de órgão. ''Os captadores deveriam receber um treinamento para abordar a família do doador, pois trata-se de uma situação bastante delicada.''
Uma doação serve para cerca de 50 pessoas, ou seja, 50 transplantes. Mesmo assim, desde novembro do ano passado o Banco de Ossos do HC não recebe uma única doação. Para suprir a procura pelos transplantes de ossos do Banco de Ossos do HC seria necessária uma doação por semana, pois o hospital responde por 70% dos ossos fornecidos ao Brasil através do SUS.
Além das restrições impostas para que a pessoa possa doar os ossos, existe o medo das famílias de que o corpo fique desfigurado. ''No lugar do osso retirado é colocado um osso de plástico. Não há problema algum.'' Segundo Tavares, os hospitais também não têm demonstrado interesse em captar ossos, apenas em recebê-los para fazer o transplante. ''É por isso que o Sistema Único de Saúde proibiu que os transplantes fossem realizados em hospitais não credenciados a captação de ossos.''
O doador não pode ter sido afetado por doenças sexualmente transmissíveis, doença de Chagas, nem hepatite A e B. Ele também não pode ter morrido de câncer ou de outra infecção nem ter permanecido na UTI por um período prolongado. Estão na fila para receber transplantes de ossos 180 pessoas, mas, Tavares avisou que o estoque do Banco de Tecidos não será suficiente para atender a todos.

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