Banco de Luxemburgo abre escritório em São Paulo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 6 (AE) - O Cedelbank, um banco internacional de liquidação e compensação de títulos, vai atuar no Brasil, com a abertura de um escritório na cidade de São Paulo. O início das operações, ainda neste mês, depende apenas da autorização do Banco Central que está analisando o pedido.
O presidente mundial do Cedelbank, Robert Douglass, que veio ao País para anunciar a abertura do escritório, disse acreditar no potencial de crescimento do mercado financeiro brasileiro, nos próximos anos. O banco fará apenas a custódia de operações internacionais, basicamente de títulos da dívida brasileira, não atuando no mercado interno.
"Temos grande confiança na volta da estabilidade da economia brasileira e no crescimento do mercado de capitais do País", disse Douglass, que conhece bem o Brasil, já que até 1994 era o vice-presidente do Chase Mannhathan, o que fez com que ele visitasse o País por vinte anos. "O potencial é imenso, quando se pensa na abertura de capital de empresas hoje familiares", emendou Jurgen Marziniak, responsável pelas operações em todo o mundo, com dez anos de experiência no mercado asiático, em Hong Kong e Indonésia.
Formado por 94 instituições financeiras, e em operação desde 1970, é o segundo maior banco internacional de liquidação e compensação do mundo, ficando atrás apenas da Euroclear. O Cedelbank, com sede em Luxemburgo e cinco escritórios regionais (Dubai, Londres, Nova York, Hong Kong e Tóquio), atua em 80 países e soma 2 mil clientes.
Ao optar por um escritório brasileiro, o Cedelbank descartou a Argentina, depois de uma série de análises e visitas. Concluíram que o potencial brasileiro é duas vezes superior ao argentino, além de terem se surpreendido com a recuperação brasileira após a desvalorização do real. Os clientes do banco na Argentina admitiram que passam três dias por semana em São Paulo. De São Paulo, o Cedelbank vai operar a América do Sul, o que é feito hoje em Nova York.
Atualmente, o Cedelbank opera com dezessete instituições financeiras brasileiras, através de off-shore, obedecendo a legislação brasileira que permite operações apenas através desse mecanismo. Douglass acredita, no entanto, que haverá uma desregulamentação do mercado financeiro num prazo aproximado de dois anos, que possibilitará transações com instituições baseadas no País, acenando com um mercado muito maior do que o do momento, de acordo com o banco.
No ano passado, o Cedelbank contabilizou 10 milhões de transações entre países, movimentando cerca de US$ 1,8 trilhões de títulos em custódia. Deste total, um-quinto são provenientes de mercados emergentes. Hoje, são aproximadamente 45 mil transações diárias, o equivalente a US$ 70 bilhões, número que pode chegar a US$ 100 bilhões.
A partir do ano 2000, com a oficialização da fusão entre o Cedelbank e o Deutsche Brse Clearing, uma instituição alemã, o banco será o maior do mundo na sua área. A partir da união, será criado o Banco de Liquidação Europeu. Já está em discussão a entrada de um novo parceiro nessa fusão, o francês Sicovan. A partir da atuação conjunta, o número de transações pulará para 100 milhões em três ou cinco anos.


