Banco de Andrade Vieira não valia nada, garante Geoghegan
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 16 (AE) - Ao contrário do que afirmou o ex-senador Andrade Vieira, que o Banco Central deu o Bamerindus de graça para o grupo inglês HSBC, o presidente do Banco HSBC Bamerindus, Michael Francis Geoghegan, garantiu hoje aos senadores da CPI dos bancos que o velho Banco Bamerindus S.A não valia nada.
"Um banco vale os ativos que tem e, no caso do Bamerindus, seus ativos não eram bons", explicou Geoghegan para justificar a sua afirmação de que o valor do Bamerindus deveria ter sido zero. O presidente do HSBC Bamerindus disse para os senadores que só pagou R$ 381 milhões pela marca Bamerindus porque o Banco Central não abriu mão.
O depoimento do presidente do HSBC Bamerindus, feito hoje na CPI dos Bancos, foi uma conversa entre surdos. Por um lado Michael Geoghegan, que fala com dificuldade o português, pouco conseguiu entender das perguntas dos senadores.
Contribuiu para a confusão do depoente o pouco conhecimento dos senadores sobre o Proer (Programa de Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), que dividiu o Bamerindus na parte boa, que foi vendida para o HSBC e na parte ruim, hoje sob liquidação extrajudicial. O fato de Geoghegan utilizar várias palavras em inglês em suas explicações também contribuiu para que o depoimento fosse pouco entendido.
Um exemplo de perguntas e respostas sem relação pode ser tirado logo no início dos questionamentos dos senadores. O relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA) quis saber do presidente do HSBC Bamerindus se ele confirmava a informação de que utilizou a captação da poupança para aplicações no mercado financeiro, sem aplicar em investimentos imobiliários. Michael Geoghegan respondeu que obteve do Banco Central um "weaver", ou seja, um perdão para fazer isso durante um determinado período, no que foi interrompido pelo senador que queria saber quanto ele tinha ganho no "over" com isso.
Outro ponto bastante questionado foi o prejuízo obtido pelos acionistas minoritários do Banco Bamerindus com a intervenção seguida pela liquidação extrajudicial promovida pelo Banco Central. Geoghegan bem que tentou, mas não conseguiu que os senadores compreendessem que o novo banco que ele presidente - o HSBC Bamerindus - não tem nada a ver com isso. Os acionistas minoritários do Bamerindus perderam dinheiro porque investiram mal, ou seja, numa empresa que faliu. Se fosse hoje uma empresa saudável, as ações do Bamerindus valeriam muito dinheiro, mas sob liquidação extrajudicial e com passivo a descoberto de R$ 5 6 bilhões, as ações do Bamerindus viraram pó.
No depoimento o presidente do HSBC Bamerindus explicou para os senadores que, antes de assumir, em março de 1997, o banco do ex-senador Andrade Vieira, o grupo inglês já era acionista minoritário do Bamerindus desde 1992. De acordo com Michael Geoghegan o HSBC foi procurado pelo Bamerindus várias vezes, em 1996, para aumentar sua participação na instituição. A solicitação, segundo ele, foi negada, porque o HSBC não via no aumento da participação um bom negócio.
Geoghegan também disse para os senadores que o grupo lançou como prejuízo sua participação no Bamerindus depois de ouvida a auditoria e de receber relatórios internacionais, dando conta da situação difícil do banco e do seu rebaixamento no ranking de instituições brasileiras.
Ainda segundo Geogeghan o HSBC foi consultado pelo banco central sobre a possibilidade de vir a assumir o Banco Bamerindus. "O BC consultou várias instituições financeiras", afirmou. Ele garantiu aos senadores que, em março de 1997, depois de nova investida do BC o HSBC reconsiderou sua posição porque tinha a intenção de aumentar sua participação no Brasil. Ele contou que o HSBC assumiu um passivo junto ao público de R$ 11 bilhões recebendo, em troca, ativos no mesmo valor e que o grupo trouxe, para capitalizar o banco US$ 960 milhões.
Geoghegan afirmou para os senadores que o HSBC não recebeu qualquer recurso do Proer. "Todas as operações de Proer foram feitas com o Banco Bamerindus sob liquidação", afirmou. Ele também disse desconhecer a operação de aquisição de títulos da dívida externa brasileira, feita por determinação do BC pelo velho banco Bamerindus.


