Rio, 05 (AE) - O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, anunciou no início da noite de hoje a redução da taxa Selic de 42% para 39,5% a partir de amanhã. A taxa regula as operações diárias com os títulos públicos federais. A decisão foi tomada pelo presidente da instituição, Armínio Fraga, sem que fosse necessário uma reunião do Conselho de Política Monetária (Copom).
Figueiredo disse achar possível que a média da taxa Selic para o ano fique abaixo dos 28,8%, parâmetro definido com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele ressaltou, no entanto
que não existe meta para a taxa de juros Selic. Ele explicou que a decisão do Banco Central pela redução da taxa Selic foi baseada nos indicadores de inflação. "Os índices têm sido recorrentemente abaixo das previsões, então entendemos por bem que fazia sentido reduzir as taxas de juros. Ele lembrou que objetivo do Banco Central é exatamente olhar a inflação e agir de forma que ela esteja comportada.
O diretor do BC destacou que a instituição olha para todos os índices de inflação. Ele ressaltou, no entanto, que a preocupação maior é com o índice de preços ao consumidor. Figueiredo explicou que estes índices têm apresentado acomodação e tendência de ligeira baixa. Os outros indicadores, como o de preço ao atacado, segundo ele, também mostram a mesma tendência.
Figueiredo justificou a atuação do Banco Central explicando que a instituição tem como objetivo agir de forma preventiva, no momento que eleva ou reduz as taxas de juros. O diretor do BC acrescentou que o órgão não deve atuar a reboque dos fatos e por isso age antecipando os indicadores.
Mesmo decidindo a taxa Selic com base nos índices de inflação, Figueiredo disse que o Banco Central não trabalha com projeções ou metas. "O mercado projeta", destacou. Ele disse que as novas projeções mercado, que tem acompanhado os indicadores e suas mudanças de tendências são bons indicadores para serem analisados agora. Para o diretor do BC, a "realidade está se mostrando menos perversa" do que era traçada há algumas semanas.
Esta foi a segunda redução na taxa Selic. Há cerca de duas semanas o BC reduziu a taxa Selic de 45% para 42%, já atuando de acordo com os indicadores de inflação. A próxima reunião do Copom será no dia 14 deste mês.
Novas reduções - A queda dos juros já era esperada pelo mercado financeiro e há analistas que acreditam em novas reduções ainda neste mês. Para o economista Guilherme Paiva, do Banco Bozano, Simonsen, a taxa Selic pode ficar entre 35% e 36% na próxima reunião do Copom, marcada para o dia 14.
De acordo com Paiva, se os novos números sobre a atividade econômica na segunda quinzena continuarem apontando para inflação baixa, redução do valor do dólar e retomada das exportações, é possível uma nova queda no dia 20. Entre as razões que fizeram o mercado esperar a queda, explicou o economista, a principal foi a inflação de 2,83% em março, calculada pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ).

mockup