Washington, 23 (AE-AP) - O fato de eliminar a dívida nacional dos Estados Unidos não prejudicará a capacidade de o Federal Reserve combater a inflação por meio da administração de taxas de juros de curto prazo, disse hoje (23) um alto funcionário do Fed.
O diretor do Federal Reserve, Laurence Meyer, disse que o banco central, que usa seus investimentos em valores mobiliários do Tesouro para implantar mudanças nas taxas de juros, conseguirá se adaptar a um mundo no qual o nível desses valores mobiliários está encolhendo.
"A diminuição da dívida do Tesouro não apresenta problemas insolúveis de longo prazo para Federal Reserve", disse Meyer em um pronunciamento para a National Association for Business Economics.
O orçamento final do presidente Bill Clinton prevê que a parcela de US$ 3,7 trilhões de capital aberto da dívida nacional de US$ 5,7 trilhões poderá ser eliminada até 2013, livrando o governo da dívida pública pela primeira vez desde 1835, quando Andrew Jackson era presidente.
O presidente do conselho do Federal Reserve, Alan Greenspan, que apresentou o relatório semestral do Fed ao Congresso na semana passada, disse que utilizar os superávits previstos para reduzir a dívida nacional seria a melhor forma de empregar o excesso de receita, especialmente em face das esperadas demandas crescentes sobre os recursos do governo no momento em que a geração de "baby-boomers" comece a se aposentar.
O Fed administra o suprimento de dinheiro do país comprando e vendendo valores mobiliários do Tesouro. Se quer aumentar a oferta de dinheiro e assim baixar as taxas de juros, compra valores mobiliários em posse dos bancos, fornecendo dinheiro que os bancos podem usar para fazer mais empréstimos a empresas e consumidores.
Se o Fed quer diminuir a oferta de dinheiro e elevar as taxas de juros, vende valores mobiliários do Tesouro para os bancos em troca de uma porção das reservas em dinheiro dos bancos. Assim, os bancos ficam com menos dinheiro disponível para fazer empréstimos e as taxas de juros aumentam.
Meyer disse que, embora o banco central agora apenas compre e venda valores mobiliários do Tesouro para expandir ou encolher o suprimento de dinheiro, poderá facilmente passar para outros tipos de títulos, como aqueles vendidos por governo estaduais e municipais ou até mesmo dívidas vendidas por outros países.
Uma outra opção seria comprar e vender valores mobiliários emitidos por outros órgãos federais tais como o Fannei Mae, o órgão patrocinado pelo governo que administra bilhões de dólares de hipotecas imobiliárias em valores mobiliários.
Meyer disse, também, que não há perigo que o desejo do governo de diminuir a dívida nacional, o que teria o efeito de baixar as taxas de juros, conflite com os propósitos do Fed, que está elevando as taxas de juros em um esforço para reduzir o ritmo de crescimento econômico e manter a inflação afastada.
Ele disse que o Fed pode sempre ajustar sua administração do suprimento de dinheiro do país para ajustar as taxas de juros de curto prazo que ele controla.
Desde junho, o Fed empurrou sua meta para a taxa de fundos federais, os juros que os bancos cobram uns dos outros, para 5 75% em quatro alterações de um quarto de ponto, a última delas ocorrida em 2 de fevereiro.
Na semana passada, Greenspan despertou a atenção para os mercados financeiros na sua expectativa de maiores altas nas taxas de juros se a economia continuar a crescer em um passo tão acelerado. Muitos economistas privados estão no aguardo de ao menos mais dois aumentos de um quarto de ponto nas próximas reuniões do banco central a ocorrerem em março e maio.

mockup