São Paulo, 26 (AE) - A operação montada pelo Banco Central (BC) para conter as especulações hoje foi bem-sucedida. Num dia tranquilo, sem boatos e com a fiscalização do BC ainda acompanhando de perto as mesas de operação das instituições mais ativas em câmbio, o dólar ficou relativamente pressionado. A sexta-feria sequer chegou a fazer sombra ao tumultuado dia 29 de janeiro, quando a cotação alcançou os R$ 2,15. No fechamento do mercado, a moeda norte-americana era cotada a R$ 2,04, em queda de 0,49% ante a cotação da véspera. No período da manhã, o período do dia que concentra o grosso do volume de negócios, o dólar ficou pressionado desde a abertura. A trajetória, segundo operadores, começou com a moeda sendo negociada a R$ 2,06, pouco acima do fechamento da véspera, chegou bater na máxima de R$ 2 08, e recuou para R$ 2,06. À tarde, ficou entre R$ 2,04 e R$ 2 05, mas praticamente não houve negócios.
Ação do BC - O governo atuou nos dois segmentos do mercado para manter o preço sob controle. No mercado à vista (também conhecido como pronto), o BC vendeu dólares diretamente a alguns bancos, como vinha fazendo nos últimos dias. Mas, segundo um diretor de banco, o volume de negócios hoje foi baixíssimo e basicamente foram realizadas as chamadas operações primárias (exportação e importação). Compras para reforçar as posições, nem pensar.
Segundo operadores, os fiscais do BC acompanharam os negócios diretamente nas mesas de operação de alguns bancos até o fim do mercado. Muitos executivos reclamaram desse tipo de intervenção do BC, afirmando que a autoridade monetária poderia ter lançado mão de outros mecanismos. "Essa era a técnica do Gustavo Franco, de intimidar o mercado", lembrou um executivo. "Ninguém vai fazer negócio com pessoal rondando as mesas."
Na prática, a atuação inibiu a circulação de boatos e os movimentos especulativos - como a chamada operação "zé com zé"
a compra e venda direta de dólares entre instituições com o puro objetivo de elevar os preços.
Futuro - No mercado futuro, o BC , por intermédio do Banco do Brasil (BB), garantiu às instituições a rolagem dos contratos de março, cuja liquidação financeira será na segunda-feira, vendendo os contratos de abril. Segundo operadores o volume não foi elevado porque, diferentemente do mês passado, os investidores anteciparam a migração para o mês subsequente.
O vencimento de março somava 65,677 mil contratos, totalizando US$ 6,5 bilhões e na abertura do mercado hoje pelo menos dois terços já haviam sido rolados para o vencimento de abril (cerca de US$ 4,3 bilhões). Boa parte do restante foi garantido pelo BB, de acordo com o diretor financeiro de um banco ativo em câmbio. "Ainda não há condições de os bancos assumirem posições de venda no mercado futuro", disse. Isso porque o mercado ainda pede instrumentos de hedge (proteção) contra as oscilações da moeda. O risco é de o BB voltar a ficar com grandes posições de venda, como no vencimento passado. Em outras palavras, ser a única instituição financeira a apostar na queda do preço do dólar. No fim do mês passado, a onda de boatos sobre confisco puxou o preço do dólar gerando ganhos monumentais aos investidores que apostaram na ponta contrária, de alta de preço.
Prova - A sabatina do presidente indicado do BC, Armínio Fraga, também foi bem tranquila, considerada até monótona pelos operadores. O resultado positivo indica que o nome de Fraga deve ser aprovado na terça-feira, no plenário do Senado, o que indica uma melhora no cenário do mercado cambial brasileiro.

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