Banco Central decreta liquidação do Crefisul
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 23 (AE) - O Banco Central decretou hoje a liquidação extrajudicial do Banco Crefisul S.A., de mais três instituições financeiras controladas pelo empresário Ricardo Mansur e também do consórcio M, antigo consórcio Mesbla. As quatro empresas estão fechadas. Segundo garantiu o diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, as lojas de departamento Mesbla e Mappin, também controladas por Mansur, não foram afetadas e continuam funcionando normalmente. O empresário está com os bens indisponíveis. Além do Crefisul, foram liquidadas a Crefisul Leasing S.A. Arrendamento Mercantil, a Distribuidora United de Títulos e Valores Mobiliários Ltda e a Banqueiroz Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.
O diretor do BC prevê que, no prazo de três ou quatro semanas os clientes do banco que tinham depósitos à vista, caderneta de poupança e depósito a prazo na instituição deverão receber recursos até o limite de R$ 20 mil do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Não têm direito aos recursos do FGC os clientes que aplicaram em fundos. Para receber seus investimentos, estes clientes terão que aguardar a assembléia geral de cada fundo, que poderá decidir pelo resgate das cotas ou pela transferência da administração do fundo. O retorno do investimento dependerá da composição de cada carteira.
Com sede em São Paulo, o Crefisul tinha 13 agências - doze no Estado e outra em Porto Alegre - e 398 funcionários. Em janeiro, segundo dados do BC, o banco tinha um total de R$ 407 milhões em passivos junto ao público, sendo R$ 6 milhões em depósito à vista, R$ 21 milhões em caderneta de poupança, R$ 290 milhões em depósito a prazo e outros R$ 90 milhões em debêntures. Alvarez afirmou que desde que as primeiras notícias sobre as dificuldades financeiras de Mansur começaram a ser veiculadas, o Crefisul começou a sofrer saques. Grandes investidores institucionais iniciaram os saques. "Estes investidores são mais ariscos e rápidos no gatilho", afirmou o diretor.
Em seguida, segundo relatou, o banco começou a enfrentar dificuldades para obter financiamentos no mercado. A saída foi recorrer ao Banco Central, onde vinha tomando empréstimos de liquidez no valor de R$ 20 milhões desde janeiro. A liquidação foi decidida porque, além de não conseguir apresentar garantias suficientes ao BC para obter novos empréstimos, o Crefisul ainda virou as reservas, uma espécie de conta-corrente dos bancos no BC. De acordo com o diretor, o banco sacou em torno de R$ 10 milhões além do seu saldo.
Lojas - Alvarez explicou que as lojas de departamento Mesbla e Mappin não foram afetadas porque estão vinculadas a holdings diferentes da controladora do banco. "A vinculação é indireta", afirmou o diretor, explicando que "as lojas têm prosseguimento jurídico normal". Embora estejam sob o comando geral de Mansur, as empresas que controlam as lojas e o banco são diferentes. Segundo o diretor, as ações do empresário nas holdings ficam indisponíveis e não podem ser negociadas.
Mas as holdings e todas as empresas a elas vinculadas continuam funcionando. Na hipótese de venda de uma das lojas, Alvarez explicou que o negócio pode ser fechado. O dinheiro da venda, entretanto, ficaria na holding e Mansur não poderia lançar mão dele. No caso do consórcio, o diretor explicou que, embora esteja vinculado às lojas, a liquidação foi decretada porque os recursos dos consorciados estavam aplicados no Crefisul. "O consórcio não teria como continuar suas operações", destacou Alvarez.
Dívidas - Somente junto ao Banco Central, o Crefisul tem uma dívida de aproximadamente R$ 130 milhões, sendo R$ 30 milhões dos empréstimos e do saque nas reservas e outros R$ 100 milhões referentes ao empréstimo do Proer tomado em 1996. Naquele ano, o empresário Ricardo Mansur controlava o banco United, que incorporou o banco Antônio de Queiroz, uma instituição fundada em 1923. Prevaleceu, no entanto, o nome Antônio de Queiroz. Em seguida, o empresário decidiu comprar a marca Crefisul. Como incentivo à incorporação, ele recebeu o empréstimo do Proer.
Segundo explicou Alvarez, agora o Banco Central vai se candidatar à massa da liquidação. Isso significa que serão levantados o patrimônio do Crefisul e das outras instituições para pagar aos credores. Dentre eles, o BC tem preferência, ficando atrás somente dos créditos trabalhistas. O diretor acredita, entretanto, que no caso do banco o patrimônio líquido pode ficar negativo. Ou seja, as dívidas superariam o valor do patrimônio. Segundo Alvarez, além da inadimplência alta, o Crefisul também tem muitos créditos podres.
Além de Mansur, também ficaram com os bens indisponíveis os ex-administradores das instituições liquidadas Aluízio José Giardini, Antônio Carlos Junqueira Franco, Carlos Mário Fagundes de Souza Filho, Herald Paes Leme, Marco Antônio de Queiroz, Paulo Sérgio Scaff de Napoli, Realsi Roberto Citadella, Frederico von Ihering Azevedo, Helio José Liberati, Leonel Pozzi e Luiz Afonso Pereira Simione.


