Bancários fazem greve relâmpago no Rio
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quinta-feira, 21 de outubro de 1999
Por Mônica Ciarelli , Andreia Maia e Maria Fernanda Delmas 
Rio, 22 (AE) - Os bancários do Rio de Janeiro paralisaram hoje as operações nas agências do centro da cidade e no departamento de processamento de dados do Banco do Brasil para protestar contra o impasse nas negociações salariais da categoria. A próxima paralisação será dos petroleiros, que já anunciaram uma greve de 48 horas a partir do dia 27, com o objetivo de forçar a Petrobras a aceitar a proposta da categoria.
Essa é a primeira grande manifestação dos bancários do Rio por reposições salariais desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Os trabalhadores ameaçam também entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 4 de outubro se a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se recusar a discutir as reinvindicações da categoria. Os trabalhadores querem reposição das perdas salariais durante o Plano Real, calculada em 10,72%, mais aumento da participação nos lucros das instituições financeiras.
A Fenaban, que havia feito uma proposta no dia 9 de setembro, diz que desconhece a contra-proposta dos bancários e aguarda um contato dos dirigentes sindicais - da CUT e Contec - para dar prosseguimento à negociação. O coordenador de negociações trabalhistas da entidade patronal, Magnus Apostólico
explicou que os banqueiros acenaram com reajuste de 4% nos salários e benefícios e participação nos lucros.
Ele chamou a paralisação de bloqueio, "porque os empregados queriam trabalhar, mas os sindicalistas não deixaram". "Não podemos continuar tendo reajustes abaixo da inflação", reclamou a presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Fernanda Carísio. "Além das perdas, o número de dispensas está crescendo e todo mês o sindicato homologa cerca de 300 demissões", revelou.
A greve será decidida durante o Enconto Nacional dos Bancários, que começou hoje no Rio. O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Vaccari, estima que 1.700 mil sindicalistas estejam presentes ao evento. Também será discutida a preparação para o Dia Nacional de Paralisação e Protesto em Defesa do Emprego e do Brasil, marcado para o dia 10 de novembro. "Se os banqueiros se tornarem insensíveis, ficarão surpreendidos com a mobilização da categoria", afirmou Vaccari.
Surpresa - O movimento dos bancários pegou a população de surpresa e as filas nos caixas eletrônicos foram grandes durante toda a manhã. Os sindicalistas aproveitaram para distribuir bananas aos clientes nas filas. "A banana é dos banqueiros e a casca fica com os bancários", afirmou a funcionária do Banco do Brasil Norma Tessaroro.
A manifestação foi pacífica. Houve tumulto apenas na porta da sede do Banco do Brasil, na rua Senador Dantas, no Centro. Ao tentar impedir a entrada de funcionários na instituição, o sindicalista Júlio Nascimento Campos foi agredido por seguranças do BB e por policiais militares com um soco no estômago. Ele foi atendido no hospital Souza Aguiar e passa bem.
Mesmo com pouca divulgação, os dirigentes de bancos tentaram driblar a paralisação. Fernanda Carísio revelou que o Banco Real determinou que seus funcionários chegassem de madrugada, às 4 horas, para fugir do piquete. A estratégia dos trabalhadores foi atingir as sedes administrativas do setor.
O centro do Rio concentra cerca de 60% dos bancários do município e, pelos cálculos da presidente do sindicato, a greve atingiu 150 agências e 15 mil funcionários. Nos outros bairros da cidade, os bancos funcionaram normalmente. Apenas o Centro de Processamento de Dados do Banco do Brasil, no Andaraí, Zona Norte da cidade, foi paralisado.
Petroleiros - Em assembléias nos últimos dias, os petroleiros rejeitaram o reajuste salarial de 3,9% mais um abono de um salário base oferecido pela Petrobras. Os trabalhadores querem um aumento de 5,79%, reposição das perdas desde o Plano Real, em 94, até o ano passado, calculada em 37,2%, e produtividade de 24%. A categoria também é contra o aumento da jornada de trabalho nas plataformas da Bacia de Campos.
A intenção da Federação Única dos Petroleiros (FUP) é paralisar todas as unidades de produção, nos terminais e na parte de distribuição. Está marcada para segunda-feira uma assembléia na Refinarias de Duque de Caxias e Manaus, que ainda não decidiram se pretendem aderir à paralisação.


