São Paulo, 26 (AE) - Foi definido hoje o padrão das negociações salariais e julgamentos de dissídios do segundo semestre. Bancários e funcionários da Sabesp receberão reajustes que repõe, até mesmo com alguma folga, a inflação de 12 meses, além de outros prêmios. No caso dos bancários, a proposta decorreu de negociação e será apresentada para os trabalhadores em assembléia quinta-feira. No dos funcionários da Sabesp, de julgamento, que previu inclusive pagamento de aumento real por conta de produtividade, ganho que os tribunais não concediam desde o Plano Real.
"Será muito difícil escapar desse parâmetro a partir de agora", analisou o professor da Faculdade de Economia e Administração da USP e pesquisador da Fipe, Hélio Zylberstajn. "Categorias fortes, como a dos bancários criam padrões para todo o segundo semestre." Os 300 mil bancários de bancos privados e estaduais do País receberam proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) de reajuste de 5,5%, que superou em 0,27 ponto percentual a inflação do período - o INPC acumulado entre setembro de 1998 e agosto deste ano. Eles terão direito ainda a participação nos lucros correspondente a 80% do salário e uma parcela fixa de R$ 400 (até o limite de R$ 6.500 de ganho por funcionário).
Outro destaque da negociação com os bancos, segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, João Vaccari Neto, foi a manutenção de todos os direitos conquistados na convenção coletiva nos últimos anos, como o pagamento de adicional por tempo de serviço (8,45% por mês a mais, a cada ano trabalhado) e reajuste, também de 5,5%, de todos os muitos itens que compõem o salário indireto, como vale-supermercado e vale-refeição (juntos agora somam R$ 323 por mês), auxílio-creche e auxílio-babá (R$ 210), auxílio-deslocamento noturno (R$ 29,54) e outros.
No Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, juízes decidiram conceder reajuste de 4%, também maior do que as perdas provocadas pela inflação, para 19 mil empregados da Sabesp. O TRT foi ainda mais longe: decidiu por um aumento real de 3,6% em decorrência do crescimento da produtividade na estatal. Desde a edição do Plano Real, os juízes não definiam ganhos de produtividade e agora romperam com essa conduta com base num estudo da assessoria econômica do tribunal sobre os resultados da empresa em relação ao número de empregados em 12 meses.
Os funcionários da Sabesp têm data-base em maio, mas na época ficaram sem aumento. No caso deles, a inflação em 12 meses (maio de 1998 a abril de 1999) foi de 3,88%. A estatal estuda a sentença e pode entrar com recurso no Tribunal Superior do Trabalho.
Metalúrgicos - Os reajustes salariais para os metalúrgicos de montadoras de veículos também continuam agitando o cenário. Amanhã funcionários da Volkswagen de São Bernardo do Campo votam novamente proposta da empresa de reposição de 10,5%, correspondente à inflação dos anos de 1997, 1998 e 1999. Apesar de ser o maior índice já oferecido até agora, os empregados recusaram a oferta em assembléia na semana passada. Isso porque eles estão desde o início do ano com uma redução de salários de 15%, negociada para evitar demissões. Ou seja, na prática, mesmo com o reajuste de 10,5%, ainda estão com perdas.
Em São José dos Campos, a General Motors volta a negociar com o sindicato dos metalúrgicos local e com o sindicato de São Caetano do Sul o reajuste para seus funcionários.

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