Bancários do Paraná ameaçam radicalizar
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segunda-feira, 09 de outubro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A partir de hoje, os bancários do Paraná pretendem radicalizar o movimento grevista que iniciou no último dia 5. Segundo a presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stédile, a tendência é ''aumentar a pressão''. Na prática, os trabalhadores pretendem ter menos funcionários para atender os clientes nos bancos. Em assembléia realizada ontem à noite, em Curitiba, os bancários decidiram pela continuidade da greve por tempo indeterminado.
Ontem, os grevistas paralisaram 130 agências na Capital e 85 no interior do Estado, totalizando 215. Em Apucarana foram paradas 14 agências, em Cornélio Procópio 10, em Londrina 45, em Campo Mourão 9 e em Umuarama 7. Na Capital, 8 mil funcionários cruzaram os braços e no restante do Estado 1.700. Marisa acredita que o movimento teve menos adesão ontem no interior devido as duas prisões de sindicalistas que ocorreram em Umuarama na última sexta-feira.
Ontem, o clima foi tenso na Capital. No Bradesco da Avenida Marechal Deodoro esquina com a Rua Monsenhor Celso, o bancário Kelson Morais Matos foi atropelado pelo gerente da agência. Matos teve fratura no pé. Além das agências, foram paralisados oito Centros Administrativos dos bancos HSBC, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú.
Na Avenida Marechal Deodoro, uma das mais movimentadas do Centro de Curitiba, 12 agências estavam fechadas ontem. Na mesma rua, uma das lotéricas estava lotada com fila de clientes para fora do estabelecimento. Ontem, a situação ficou ainda mais complicada para os clientes dos bancos. O comando de greve resolveu ''segurar'' os caixas de auto-atendimento e os grevistas impediram a entrada de pessoas nos bancos. Ontem, os bancos Santander, Bradesco e Itaú conseguiram interditos proibitórios na Justiça que impedir a realização de greves nas agências. O valor das multas que podem ser aplicadas ao sindicato em caso de desobediência da decisão judicial variam de R$ 2 mil a R$ 150 mil. O movimento conta com a participação de 200 pessoas em Curitiba entre sindicalitas e pessoas de apoio do sindicato.
Os bancos não apresentaram nenhuma proposta de reajuste salarial para os funcionários ontem. Os bancários querem a reposição da inflação, aumento real de 7,05% e aumento na participação nos lucros e resultados. Os bancos aceitam conceder apenas o INPC dos últimos 12 meses que foi de 2,85% e PLR de 80% do salário mais R$ 823.
A data-base da categoria é 1º de setembro. A greve nacional por tempo indeterminado foi deflagrada em 4 de outubro. Mas, desde 26 de setembro, já ocorriam paralisações em alguns Estados, principalmente, onde há mais bancos públicos como em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em 2004, a greve durou 28 dias e no ano passado três.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sandro Silva, lembrou que em 2005, os cinco principais bancos tiveram um crescimento de 50% no lucro. Ele destacou que mesmo com a redução das taxas de juros, o spread bancário (diferença entre a taxa de empréstimo e a taxa que o banco paga para captar o dinheiro) caiu de 27,7% para 26,3% entre abril de 2005 e agosto de 2006.


