Não é preciso procurar muito para encontrar uma bancária com uma lista de situações que mostra o quanto são testadas, diariamente, e ainda vêem muitos colegas do sexo masculino com menos experiência e menos tempo de casa sendo promovidos a cargos de chefia. ‘‘Já trabalhei com gerente que achava que a mulher devia ficar em casa. Uns acham que a mulher tem que trabalhar de salto alto e saia, para vender bem a imagem do banco’’, cita uma bancária que preferiu não se identificar, para evitar ‘‘represálias’’.
Ela é caixa há 12 anos e, nos últimos quatro teve várias promessas de promoção, nunca cumpridas. ‘‘Os cargos são ocupados por filhos ou conhecidos de gerentes. A mulher tem que trabalhar dobrado, batalhar muito mais para ter seu trabalho reconhecido.’’
Em Londrina, o Sindicato dos Bancários não possui pesquisa detalhada sobre o perfil dos profissionais que atuam na área. Mas o diretor da entidade, Paulo Lima, é categórico ao afirmar que a discriminação existe, especialmente no que se refere aos negros. ‘‘Temos, em nossa base, quatro negros trabalhando como bancários e nenhuma negra’’, informa.
Nas 26 cidades que formam a base do sindicato com sede em Londrina trabalham 1.168 homens (56,53%) e 898 mulheres (43,47%). Segundo Lima, uma grande parcela já possui curso superior, por ter sido uma exigência do mercado de trabalho. ‘‘Embora muitos bancos valorizem o curso superior, eles não proporcionam condições de seus funcionários estudarem’’, critica ele. Mesmo não tendo dados, o sindicalista acredita que as mulheres sejam mais escolarizadas que os homens. ‘‘A gente nota que elas vão mais à luta’’, comenta.
A pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Bancários é, para Lima, uma etapa importante na discussão da discriminação existente no setor. O resultado irá embasar as discussões marcadas para o início de junho, em São Paulo, com os representantes dos bancos. (Benê Bianchi)

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