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AGRESSÃO -

Bancária é agredida por cliente em agência em Londrina

Segundo o Sindicato dos Bancários, o agressor foi um cliente "insatisfeito com o modelo de atendimento precário imposto pelo banco"

Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

No dia 27 de maio, uma bancária foi arrastada pelos cabelos e jogada contra a parede de vidro do banco. Ela trabalha em uma antiga agência localizada na zona norte de Londrina, que foi transformada em uma “agência de negócios” do Bradesco. Segundo o Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, o agressor foi um cliente "insatisfeito com o modelo de atendimento precário imposto pelo banco". O modelo de agência de negócios tem sido adotado exclusivamente pelo Bradesco, que tem eliminado o atendimento por caixas presenciais e mantido apenas caixas eletrônicos, cuja administração tem sido terceirizada. No entanto, uma funcionária tem permanecido no local para orientar os usuários. 

  

 

Segundo o sindicato, agência não conta com vigilantes
Segundo o sindicato, agência não conta com vigilantes | Gustavo Carneiro
 



Uma das reclamações do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região é que a transformação em agência de negócios tem retirado as portas giratórias de segurança, com detector de metais, e os vigilantes. Segundo o sindicato, a medida é uma política de redução do quadro de pessoal, o que prejudica o atendimento. Entre março de 2020 e março de 2021, em plena pandemia, o Bradesco reduziu seu quadro de pessoal em 8.547 funcionários.



De acordo com o diretor do sindicato e membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Valdecir Cenali, "a funcionária foi conversar com o cliente, pediu para ele esperar, mas ele ficou nervoso". "Nem era dia de movimento nos caixas eletrônicos. No momento da agressão tinha a atendente e mais dois clientes no ambiente”, destacou. O temor é que a cena se repita com outros bancos.



O Bradesco fechou algumas agências e as unidades transformadas em agências de negócios não têm portas com detectores de metal nem vigilantes armados. “O banco não quer pagar vigilante armado, que é caro. Então a gente pede que pelo menos contratem um vigilante desarmado. O banco não está preocupado com a segurança dos trabalhadores. Uma agência que tinha três vigilantes, hoje não tem nenhum. Com isso o banco economiza R$ 20 mil por mês.”



Cenali aponta que os bancos argumentam que as agências de negócios não possuem numerário que justifique essa contratação. “Mas existem os caixas eletrônicos e os funcionários não possuem a chave dos caixas”, destacou.



A bancária foi afastada do trabalho com problemas psicológicos e o Sindicato dos Bancários de Londrina e Região presta assistência para a funcionária. “Cobramos a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e toda a assistência necessária para que esta bancária possa se recuperar. Inclusive pedimos para que ela seja transferida de agência, pois há o risco do cliente retornar e voltar a agredi-la, já que a polícia foi acionada”, informou Cenali.



Segundo a Polícia Civil, a punição depende da motivação que levou o agente a provocar as agressões e também do grau do dano causado. “Além disso, é preciso apurar a condição da vítima como, por exemplo, se era idosa ou deficiente. As punições variam, podendo ser pena de prisão simples ou multa, até uma lesão corporal gravíssima que abrange pena de reclusão", informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil.


O sindicato, por sua vez, informa que o agressor foi identificado e denunciado na polícia e possivelmente será intimado e que a bancária não estava em condições de conceder entrevista. Em resposta da assessoria de imprensa, o Bradesco afirmou que não vai comentar o assunto.

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