Bancada ruralista rejeita taxação de exportações agrícolas
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 04 (AE) - A bancada ruralista ameaça retirar o apoio ao governo no Congresso se houver taxação das exportações agrícolas por causa da desvalorização cambial. "Vamos jogar pesado para impedir que isto aconteça, mas se o governo insistir
não precisa mais contar com a bancada ruralista para nada", afirmou o coordenador de negociação da bancada, deputado Abelardo Lupion (PFL-PR). Segundo ele, a bancada espera que o ministro da Agricultura, Francisco Turra, saia em campo para defender os interesses do setor e consiga reverter a proposta. "É preciso evitar que os tecnocratas de plantão taxem a galinha dos ovos de ouro do País que é a agricultura".
Para Lupion, com a desvalorização cambial chegou o momento de o produtor rural poder exportar mais, ter ganhos e ajudar a balança comercial brasileira. O deputado contou que a bancada ruralista não está satisfeita com o tratamento que o governo vem dando à agricultura e defendeu mudanças no Ministério para que o setor tenha novos rumos. "Do jeito que está não vamos aceitar mais".
Lupion disse que a agricultura brasileira vai mal e que o governo não cumpre as promessas feitas ao setor. Lembrou que em junho do ano passado o ministro Francisco Turra anunciou R$ 10,3 bilhões para o custeio da safra e até agora ninguém sabe nem quanto chegou. Turra também prometeu ampliar de 25% para 30% os recursos das exigibilidades bancárias para financiar a safra e não conseguiu. "Quem manda no Ministério da Agricultura é o Ministério da Fazenda e o Banco do Brasil", disparou. O deputado reclamou ainda da falta de recursos para os Empréstimos do Governo Federal (EGF), a demora na implementação do Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop) e a falta de pagamento do Proagro (seguro rural). "O banco está cobrando e os produtores estão em situação difícil". De acordo com Lupion, a bancada ruralista está defendendo a substituição de todos os secretários do Ministério da Agricultura - à exceção do de Política Agrícola, Benedito Rosa - para uma política mais agressiva e para que o ministro Turra possa ser cobrado, já que não teve liberdade de promover mudanças na equipe que encontrou.


