Bancada ruralista aprova mudanças
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Agência Estado 
A bancada ruralista no Congresso está aplaudindo as mudanças na reforma agrária anunciadas pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. Acaba a divisão: agricultor de primeira e agricultor de segunda categoria, afirma o deputado Luciano Pizzatto (PFL/PR). Entre os agricultores de primeira estão os assentados, segundo definição de Pizzatto, por causa do subsídio do governo para que eles produzam depois de receber as terras. Os agricultores de segunda, para o deputado, são os pequenos agricultores.
Com o abandono da política assistencialista e reforço da agricultura familiar, como planeja o governo no programo Novo Mundo Rural, beneficiando igualmente assentados e pequenos agricultores, Pizzatto prevê ainda uma mudança no perfil dos candidatos à reforma agrária. Os aventureiros perderão o interesse no programa, que deverá ser procurado basicamente por aqueles que têm vocação agrícola.
Para o deputado Hugo Biehl (PPB/SC), outro integrante da bancada ruralista, o novo programa de reforma agrária vai parar de mandar peixe e, finalmente, entregar o caniço para o assentado pescar. O governo se deu conta que colocar favelados no meio do mato e mandar cesta básica custaria muito caro, afirmou. A sociedade não suportaria, porque os sem-terra aumentam a cada ano. Segundo ele, não basta ter terra para sobreviver, é necessário uma política de renda. O Banco da Terra, na opinião dele, é uma boa alternativa para os agricultores.
O deputado paulista Nelson Marchezelli (SP) considera como ovo de Colombo o governo ter proposto a descentralização da reforma agrária. Está muito certo, porque cada Estado tem uma configuração diferente, alegou o parlamentar.
Invasões As questões locais, como a invasão de 41 fazendas em Pernambuco neste final de semana, passarão a ser tratadas pelas próprias superintendências estaduais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O anúncio foi feito ontem pelo presidente interino do instituto, Nelson Borges. Os superintendentes representam o governo federal e estão mais capacitados porque têm mais informações, disse.
De acordo com Borges, o governo continua disposto a negociar com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) . Não é lógico invadir antes de conversar, disse ele, referindo-se às ocupações em Pernambuco. O presidente interino do Incra, lembrou que terra ocupada não será vistoriada.
Ontem, famílias de agricultores brasiguaios chegaram ao município de Tacuru, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, e começaram a ocupar fazendas. Duzentas e cinquenta famílias invadiram a fazenda Urtigão, com 3.300 hectares. Outras 450 pessoas ocuparam a fazenda Santa Renata, com 1.200 hectares. Grupos de sem terra ligados à Central Única de Trabalhadores (CUT) também invadiram duas fazendas em Ivinhema, no município de Angélica, e no município de Rochedo, a 60 quilômetros de Campo Grande.
Segundo um dos coordenadores da CUT, Paulo Cesar Farias, as invasões estão acontecendo em protesto pelas mudanças propostas no Programa Nacional de Reforma Agrária. Ele disse que o Programa Agricultura Familiar, Reforma Agrária e Desenvolvimento Local Novo Mundo Rural contraria todas as expectativas das famílias de sem-terra em todo o Brasil.


