Bancada na Assembléia quer PT fora do governo Garotinho
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 21 (AE) -A bancada do PT na Assembléia Legislativa do Rio aprovou hoje documento recomendando a entrega dos cargos no governo Anthony Garotinho (PDT), por considerar insustentável sua permanência após a demissão do sociólogo Luiz Eduardo Soares (que não é petista) da coordenadoria de Segurança. O texto será enviado à executiva regional, que se reúne na quinta-feira (23) para decidir se os petistas ficam ou saem. "Lamento, mas respeito", afirmou o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT)
ao saber da nota.
Quando perguntaram se a saída do PT prejudicaria o governo, negou. "Ninguém é insubstituível." Horas antes, Garotinho afirmara que a saída dos petistas seria uma "perda muito grande". Ele anunciou a criação de uma subsecretaria de Direitos Humanos e um convite à ex-deputada petista Heloneida Studart para ocupá-la. Ela avisou que só aceita com aval do PT.
A decisão dos deputados do PT ocorreu um dia após encontro do partido com o governador. Os petistas não gostaram das respostas do pedetista a suas perguntas sobre a demissão de Soares. Disseram temer a possível interrupção da política de direitos humanos do sociólogo e reclamaram dos métodos usados para exonerá-lo. O governador demitiu Soares durante entrevista ao RJ-TV, da Rede Globo, e divulgou gravação da conversa em que lhe deu a notícia.
A maioria dos petistas que participaram do encontro, ontem (20) no Palácio Guanabara (havia também secretários de Estado, como o do Planejamento, Jorge Bittar), ficou alarmada porque Garotinho não fez nenhuma autocrítica. Ele lhes garantiu que a demissão não ocorreu porque Soares denunciou policiais supostamente corruptos, mas por quebra de hierarquia, e garantiu que "vai ganhar lá na frente". O PT pediu a volta do sociólogo
o que ele rejeitou.
"Já que o governador não muda, fizemos o documento, dizendo à executiva que deveríamos sair do governo", afirmou o líder do PT na Assembléia, Paulo Pinheiro. Também participaram do encontro os deputados Chico Alencar, Carlos Minc, Tânia Rodrigues e André Ceciliano. Dos ausentes, o deputado Hélio Luz aprovou a decisão. Até o fim da tarde, os outros dois integrantes da bancada, Artur Messias e Cida Diogo, não tinham sido localizados.
Alencar explicou que a posição da bancada é apenas indicativa, porque ela não tem poder para decidir por todo o partido. "O PT tem que reexaminar profundamente a sua participação", disse ele, reafirmando que a permanência é insustentável. A posição gerou críticas na Assembléia e na aliança. O líder do PDT, Carlos Correia, desafiou os petistas a saírem hoje mesmo.
Bittar deu entrevista hoje ao lado do governador. Ele disse que a decisão de ficar no governo ou sair será tomada pelo diretório regional. "A decisão não deve ser precipitada", afirmou. O secretário reafirmou que o PT espera uma sinalização clara de Garotinho de que a política de direitos humanos e valores éticos será respeitada. "O governador disse que não haverá mudança na formulação de direitos e que vai fazer uma apuração aprofundada."
O PDT aprovou nota em seu conselho político, na qual pede uma "reflexão madura e critica" sobre a demissão de Soares. O presidente nacional da legenda, Leonel Brizola, informou que foi formada uma comissão de secretários para informar o governador da posição pedetista. O PDT também sugeriu que Garotinho aceite o afastamento do PT do governo, como fora sugerido por Bittar.
Governador - De manhã, Garotinho, que na véspera minimizara as críticas do PT e tentara desmentir que eles estivessem ameaçando deixar o partido, mudou de tom. Ele reafirmou que demitiu Soares por problemas disciplinares, mas garantiu que a política de respeito aos direitos humanos e reforma das Polícias
com expulsão dos maus policiais, continuará. Ele lembrou que ontem (20) foram afastados alguns agentes sob suspeita.
"Seria uma perda muito grande para a minha administração a saída do PT, não desejo isso", disse ele. "E eles sabem que, embora o doutor Luiz Eduardo tenha dado uma colaboração importante na formulação da política de segurança, não é dele o programa." Garotinho lembrou que o PT ocupa postos importantes no governo estadual e citou obras e realizações de seu governo.


