São Paulo, 09 (AE) - Os vereadores da bancada governista pretendem apresentar requerimentos para instaurar novas Comissões Processantes para apurar supostas irregularidades dos vereadores Maria Helena (PL) e Salim Curiati Júnior (PPB) e também um vereador do PT, numa manobra política com dois objetivos: dar uma resposta à sociedade e conseguir um bom argumento para impedir que o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) elaborado pelos partidos de oposição seja aprovado. O novo pedido de CPI, que deve ser apresentado amanhã (10) pelas bancadas de oposição, é mais amplo que a comissão encerrada em junho. O requerimento permite a investigação dos módulos do Plano de Atendimento à Saúde (PAS), dos contratos com fornecedores, das administrações regionais e das empresas de controladas pela Prefeitura.
A oposição tinha o apoio de 21 vereadores, mas hoje conseguiu mais um. O vereador Mohamad Mourad (PL) prometeu votar favoravelmente à abertura da comissão, mas isso não garante a aprovação do requerimento. As 22 assinaturas são suficientes apenas para apresentar o pedido, que só pode ser aprovado com quórum mínimo de 28 vereadores. Os parlamentares governistas argumentam que uma nova CPI paralisaria novamente os trabalhos legislativos e, por ser muito ampla, correria o risco de não apurar com profundidade nenhuma denúncia de irregularidade. Na verdade, eles temem o desgaste político e a "bandeira eleitoral" que a comissão daria à oposição.
Como sabem que não podem deixar as denúncias sem apuração, os governistas devem propor a instauração de três Comissões Processantes - para investigar Maria Helena, as supostas irregularidades cometidas por Curiati Júnior e o o vereador e presidente do Diretório Municipal do PT, Vicente Cândido. A Comissão Processante pode ser apresentada por um vereador e aprovada por 28 votos - os governistas são maioria na Câmara. Os vereadores que são aliados ao governo negam, mas a intenção é retaliar Curiati Júnior, que tem votado contra o Executivo e agido como aliado da oposição, e atingir o PT.
"Essa é mais uma manobra política para reduzir as atenções sobre a necessidade de aprovar uma nova CPI", reagiu o ex-presidente da CPI dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT). Ele entende que não existe nenhum indício de quebra de sigilo parlamentar que tenha sido cometido por Curiati Júnior e Cândido. Articulação - A articulação para propor a instauração de novas Comissões Processantes está sendo conduzida pelo vereador Miguel Colasuonno (PPB). O assunto foi avaliado numa reunião no gabinete do vereador Bruno Feder (PTB), da qual participaram José Viviani Ferraz (PL), Jooji Hato (PMDB) e Cosme Lopes (PPB). "Acredito que a Comissão Processante é um mecanismo mais rápido do que a CPI", argumentou Colasuonno.
O pedido de Comissão Processante contra Cândido foi apresentado por Edivado Estima (PPB) no primeiro semestre, depois que os Diretórios Municipal e Regional distribuíram cartaz, com fotografia, nome e telefone dos vereadores governistas, dizendo que eles envergonham a cidade.

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