Bancada do PSDB leva a Parente preocupação com aumento de impostos
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 03 (AE) - A bancada do PSDB cobrou hoje do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, que não haja aumento de impostos na segunda etapa do programa de ajuste fiscal que está em gestação no governo. Reunido com parlamentares tucanos na Câmara dos Deputados, Parente ouviu críticas em relação a alguns pontos da condução da política econômica e a bancada do partido pediu um esforço imediato da equipe econômica para a redução das taxas de juros com a finalidade de retomar o desenvolvimento econômico. Outra prioridade colocada pelos deputados tucanos foi a manutenção da taxa de inflação em níveis baixos.
Ao sair da reunião, Pedro Parente evitou a falar sobre o novo ajuste fiscal. Questionado sobre eventuais medidas do governo nesta área, ele foi enfático: "Ainda não é hora de falar nisso". Segundo ele, numa discussão como a do ajuste fiscal, há pressões de todos os tipos. "É do interesse do País ter o apoio da comunidade internacional", comentou Parente, referindo-se à presença dos representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), com quem o governo revê as metas do acordo firmado no ano passado.
O líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), admitiu que o governo está estudando como alternativa medidas como o fim de várias das renúncias fiscais, como forma de conseguir mais recursos. "Mas não há previsão de novos ajustes que dependam de emenda constitucional", garantiu. Ele descartou qualquer possibilidade na aprovação do Imposto sobre os Combustíveis, proposta defendida pelo PMDB.
No Congresso, Pedro Parente voltou a pedir calma à população. "Vamos diminuir a ansiedade e continuar mantendo a serenidade"
disse, sem dar maiores explicações que pudessem reforçar o seu apelo, limitando-se a acrescentar que não haverá surpresa. "O importante é que a gente não surpreenda com coisas negativas e de nenhuma forma daremos sustos na população", reafirmou. Segundo ele, é preciso que o governo faça a adaptação de suas políticas à nova situação do País. "Afinal, há uma importante mudança na política macroeconômica, que é o câmbio", completou.
Durante a reunião, a ex-ministra do Planejamento e deputada Yêda Crusius (PSDB-RS) avisou que a bancada tucana não aceitará novo aumento de impostos para a realização do segundo ajuste fiscal. "Esse novo ajuste fiscal tem que ser feito por meio de uma qualificação melhor dos gastos", afirmou. "É preciso ter a coragem de dizer que é necessário este ajuste, mas um ajuste com cortes nos gastos", completou.
Em relação à existência de possíveis pressões do FMI para a realização de novos cortes na economia brasileira, a deputada tucana lembrou que neste caso é o Brasil quem está dizendo ao Fundo que precisa fazer um segundo ajuste. Ela propôs, entre outras alternativas, a criação de fundos de capitalização para os servidores inativos dos Estados. Para Yêda Crusius é preciso baixar urgentemente a taxa de juros. "Agora já tem como baixar, até porque houve redução do risco e da incerteza que o mercado internacional tinha no Brasil", analisou.
Outro assunto debatido no encontro com os tucanos foi a renegociação da dívida dos Estados. Pedro Parente foi afirmativo em relação a este ponto. "Não há condições de renegociar aquilo que já foi renegociado", observou. O deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) chegou a propor que os Estados que não concordarem com as regras fixadas na administração passada voltem à fórmula anterior. Ou seja, depender de juros mais elevados com instituições financeiras privadas. Para Aécio Neves, as dívidas estaduais terão que ser discutidas individualmente. "Agora, isso não significa renegociação", ponderou.


