São Paulo, 13 (AE) - A bancada do PMDB tentou impedir a abertura do processo de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN) e as investigações das denúncias apresentadas pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e já é apontada como o fiel da balança na decisão em plenário. O vereador Ivo Morganti (PMDB) votou pelo arquivamento das denúncias e assegurou ter o apoio da bancada municipal de seu partido, hoje na Câmara Municipal. "Assim como o vereador Natalício Bezerra, eu também estou votando com minha consciência e com o apoio de toda a bancada do PMDB", disse Morganti, que se retirou em seguida alegando uma crise de rinite aguda.
A posição de Morganti e da bancada pemedebista contrariou a decisão dos diretórios municipal e estadual do PMDB
que há mais de 20 dias recomendou que os vereadores votassem a favor da investigação das denúncias.
Diante das demonstrações de que Morganti e a bancada não seguiriam a recomendação, o presidente do Diretório Municipal, João Oswaldo Leiva, veio pessoalmente à Câmara divulgar carta na qual pressionava o parlamentar a votar contra o Executivo. Leiva deixou claro, entretanto, que a legenda não havia fechado questão.
Ao ser questionado pela reportagem sobre o motivo pelo qual o partido não recomendava a entrega de cargos no governo e porque não obrigava os secretários municipais dos Transporte e da Assistência Social, respectivamente Getúlio Hanashiro e Alda Marco Antônio, a abandonar seus postos, Leiva tentou explicar: "Esse negócio de cargo é difícil porque o vereador diz que não tem e aí vai ver, tem cem; e os secretários não representam o partido, foram decisões pessoais".
A posição de Morganti criou dúvidas sobre como o partido irá votar na próxima semana. O voto dos dez integrantes é fundamental para abertura ou não de uma comissão processante contra o prefeito. A bancada está dividida. Em conversas reservadas, vereadores do PMDB disseram a colegas de outros partidos que não votarão contra o Executivo. Eles argumentam que a eventual abertura de um processo de impeachment favorecerá politicamente o PT e o PSDB, em pleno ano eleitoral.
Uma outra ala acredita não ter como deixar de votar a favor do início das investigações contra o prefeito Celso Pitta."Vou seguir a recomendação do partido", afirmou várias vezes o vereador Milton Leite (PMDB). Colasuonno disse à reportagem que, a princípio, deve votar pela instalação da Comissão Processante.
Pressão - Como os votos dos pemedebistas são preciosos para a oposição, o PT já iniciou uma estratégia para constranger o partido e pressionar a bancada ou parte dos parlamentares a votar contra o Executivo. Ontem, o líder do PT na Câmara, vereador José Eduardo Martins Cardozo, fez um discurso enaltecendo as tradições democráticas e as posições históricas em defesa da liberdade social assumidas em anos anteriores pela legenda.
Cardozo afirmou que, se a bancada municipal do PMDB votar contra o início do processo de impeachment em plenário, permitirá que a população de São Paulo entenda que recomendação feita por Leiva "não passou de um jogo de cena, para preservar a imagem do partido perante a opinião pública". "Não posso imaginar que o PMDB, de Ulysses Guimarães, não permitirá a apuração de denúncias gravíssimas que chamam a atenção não só de São Paulo, mas do Brasil todo", completou Cardozo.

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