Bancada do PMDB inicia operação abafa contra Newton Cardoso
Brasília, 29 (AE) - A bancada do PMDB mineiro na Câmara iniciou hoje uma operação para abafar a repercussão das declarações do vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB), que ameaçou contar "a verdadeira história da reeleição" em retaliação à demissão do afilhado político dele, Flávio Menicucci, do cargo de diretor-regional do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).
"Foi uma declaração intempestiva", avaliou o coordenador da bandada, Zaire Rezende (PMDB-MG). "O ministro Eliseu Padilha (Transportes) escolheu uma solução técnica", completou Rezende. Menicucci foi substituído pelo técnico José Élcio Monteze.
Hoje, Newton Cardoso foi aconselhado por caciques peemedebistas a recuar. Aguardado em Brasília, onde ele teria um encontro com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), "Newtão", como é conhecido o vice-governador, não apareceu. Temer negou a existência de qualquer reunião agendada com o político mineiro, mas avisou que o receberia a qualquer momento. Inicialmente, Newton Cardoso quis jogar a responsabilidade das denúncias para a direção nacional do PMDB. Mas, em Brasília, a ordem foi ignorar a "chantagem" de "Newtão".
Nem mesmo os parlamentares do PMDB mineiro saíram em apoio do vice-governador, que foi criticado pelo PSDB. "Como homem público, o Newton ficou na obrigação de provar o que sabe sobre a verdadeira história da reeleição", atacou o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). A iniciativa de substituir o afilhado político de "Newtão" é uma nova sinalização do Palácio do Planalto de como será a relação com os "aliados rebeldes". A demissão foi interpretada como uma retaliação do governo às críticas feitas na semana passada por Newton Cardoso.
"O presidente já disse: ou é cara ou coroa", avisou Neves, lembrando que o presidente Fernando Henrique Cardoso está reformulando a relação com a base.
"Não é certo ficar atacando o governo e, ao mesmo tempo
ficar usufruindo de cargos", esclareceu o líder tucano, fazendo uma referência à postura do PMDB mineiro em relação ao governo federal. "O presidente pagou para ver a chantagem", completou Neves. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), também tem uma avaliação semelhante. "Ao fazer essa demissão, o presidente deu consistência ao que vêm pregando em seu discurso: quem tiver insatisfeito, que deixe o governo", analisou Oliveira.
"Newtão" ficou dentro do partido. Nenhum deputado fez críticas à substituição. Até porque a bancada do PMDB mineiro foi consultada antes da troca, o que evitou a nomeação do ex-deputado tucano Ajalmar Silva. Segundo o deputado Hélio Costa (PMDB-MG), o novo chefe do DNER foi indicado pela qualificação técnica, apesar de ter sido diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Minas Gerais nos governos de Hélio Garcia (PTB) e Eduardo Azeredo (PSDB).
Apenas o senador José Alencar (MG), presidente regional do PMDB, fez críticas à forma como o Menicucci foi demitido. "Com esse gesto, o Executivo demonstrou que está pouco ligando para o que pensa o PMDB de Minas", lamentou Alencar. "Isso significa desapreço ao partido", completou. Mas, em relação às ameaças de "Newtão", o senador mineiro evitou fazer qualquer comentário. "Não sei nada do Newton Cardoso", respondeu Alencar, irritado.
A substituição de Menicucci foi apenas uma demonstração do Planalto de como o PMDB mineiro será tratado em relação aos cargos federais no Estado. As novas nomeações deverão sair principalmente para o PSDB e o PFL. A primeira mudança deverá acontecer na direção do Demetrô, com a substituição de Marcos Siqueira, ligado ao governador Itamar Franco (PMDB), por José Francisco Lemos, indicado pelo PSDB.
Os tucanos também devem indicar Antônio Fagundes de Sousa para dirigir o Instituto do Patrimônio Histórico; o ex-deputado Kemil Kumaira para a direção regional da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA); Roberto Mauro Amaral para chefiar a representação mineira da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), e Paulo Bregúncio para a Fundacentro. Já o PFL deverá indicar o ex-deputado José Santana de Vasconcellos para a diretoria-financeira da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU); Alcir Nascimento para comanda a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) no Estado, e Melquior Augusto de Mello para dirigir o a sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), faltando apenas a confirmação do delegacia do Ministério de Políticas Fundiárias.





