Bancada do Pará ameaça romper com FHC
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sábado, 01 de maio de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 02 (AE) - As relações entre o governo do Pará e o Palácio do Planalto estão azedando a cada dia. Tucano e aliado de primeira hora do presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Almir Gabriel já não consegue mais esconder as divergências com FHC e seus ministros, sobretudo os da Fazenda, Pedro Malan, e Saúde, José Serra. Deputados federais e senadores ligados a Gabriel terão nesta semana uma audiência com FHC. Vão dizer a ele que podem votar com a oposição caso o Pará continue a "viver a pão e água" das verbas federais.
Cortes profundos de verbas do Orçamento de 99 destinadas ao Pará e incompatibilidade de pensamento entre Gabriel e FHC sobre o plano de desenvolvimento do governo federal para a Amazônia nos próximos quatro anos estão contribuindo para entornar o caldo político e mobilizar a bancada federal paraense em favor de Gabriel.
Como se isso não bastasse, um outro ingrediente tem servido para distanciar o governador do presidente: supostos favorecimentos de FHC na distribuição de cargos federais ao hoje inimigo político de Gabriel, o senador e presidente do PMDB, Jáder Barbalho.
O pavio da revolta com o Planalto, no entanto, foi aceso pelo Plano Plurianual (PPA) 2000 do governo federal para a Amazônia, divulgado há 18 dias. Nesse documento, FHC traça as diretrizes para o desenvolvimento econômico da região Norte, fixando metas no ecoturismo, extrativismo e biotecnologia.
Gabriel priorizou para o seu segundo mandato investimentos na agroindústria, verticalização da produção mineral e turismo. Essas metas estão na contramão daquilo que FHC idealizou para a região. Gabriel, que se diz um administrador "pragmático", discorda das diretrizes "românticas" do governo federal para a Amazônia.
Se aceitar o que FHC está querendo impor, Gabriel terá imensos problemas internos. Ele reelegeu-se prometendo criar 400 mil empregos através de investimentos na agroindústria e turismo. O Planalto, no entanto, avisou que não pretende mexer no que já está definido. O governador engoliu tudo a seco, mas teria comentado a insatisfação com seus deputados federais e senadores.
Os deputados Gerson Peres (PPB), Nicias Ribeiro (PSDB), Zenaldo Coutinho (PSDB) e Giovanni Queiroz (PDT) afirmam que o governo federal está "humilhando o Pará". E avisam: estão dispostos a votar contra os interesses do Planalto no Congresso se FHC não revisar suas metas para a Amazônia.
Nicias ataca: "Se os votos do PSDB, PDT, PPB e PTB interessam ao presidente da República, ele deve deixar de lado o que está querendo fazer de ruim contra o Pará". Para Coutinho, as diretrizes de FHC para a Amazônia "desatrelam a região do resto do País e a condenam à miséria". Peres não deixa por menos e exige melhor tratamento do Planalto, afirmando que o Pará, por ser o quinto maior exportador brasileiro, "merece um pouco mais de consideração". O deputado revela que, hoje, o Estado aparece em "penúltimo lugar nas receitas orçamentárias do governo federal".


