Bancada cobra governadores do PT a manter oposição à previdência do governo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 20 (AE) - A bancada do PT vai reunir amanhã (21) os governadores do partido Zeca do PT (MS), Olívio Dutra (PT) e Jorge Viana (AC) para pressioná-los a não participar do encontro de sexta-feira (22) com o presidente Fernando Henrique Cardoso, quando será apresentada a emenda que institui a cobrança de taxa previdenciária dos servidores públicos inativos e pensionistas. Caso os governadores apóiem a iniciativa do Palácio do Planalto, não terão o aval da bancada do PT. "Nesse caso, eles poderão ter votos contrários do PT em seus Estados", ameaçou o deputado José Dirceu (MG).
Hoje, o PT apresentou a proposta da bancada de reforma da previdência, deixando claro que ela não é negociável. "Nossa relação com o governo, nesta matéria, é de disputa e não de acordo", disse o líder do partido na Câmara, deputado José Genoíno (SP). É a reação do PT para tentar reverter o jogo político, hoje favorável ao governo, que conseguiu reunir no sábado passado os governadores de oposição, incluindo Zeca do PT
para discutir a alegada necessidade de remeter ao Congresso uma emenda permitindo a taxação de inativos.
"Vamos tentar convencer os governadores de que essa reunião não tem sentido e vamos mostrar que há outras formas de sanear as contas estaduais", disse o líder do PT na Câmara. "Os governadores não devem ir, até porque o governo já apresentou suas propostas", sustentou José Dirceu, defendendo a discussão de pontos, como a Lei Kandir e o Fundef (fundo que financia o ensino fundamental)" como formas alternativas de equilibrar os caixas estaduais. Dirceu chegou a declarar que os governadores "devem seguir a orientação da bancada". Em seguida, contudo, explicou que "eles têm direito" de ficar a favor da cobrança dos inativos. O governador que mais precisaria de recursos advindos da taxação dos inativos é o do Rio Grande do Sul, segundo o próprio PT.
O PT também acusa o governo de ter tentando passar por cima das lideranças do partido, ao chamar hoje o deputado Eduardo Jorge (SP) para uma conversa com o ministro Aloysio Nunes Ferreira. "A bancada vai recuperar a iniciativa", afirmou José Genoíno.
Genoíno disse não acreditar na intenção do governo de negociar com as oposições uma proposta de reforma da previdência. "O que acontece é que o governo não quer negociar", afirmou José Genoíno. O líder do PT admitiu, no entanto, o diálogo, desde que o fórum seja o Congresso Nacional. "Não queremos posar para foto no Palácio do Planalto", disse o deputado, que acredita na intenção do governo de "dividir com a oposição o ônus do desgaste causado por trapalhadas cometidas em relação à previdência".
O PT vai esperar o envio da emenda para o Congresso. "Vamos discutir e apresentar emendas substitutivas", adiantou o líder do partido. A proposição de emenda constitucional de reforma da previdência apresentada hoje pelo PT é resultado da proposta original do deputado Eduardo Jorge (apresentada por ele em 1993) com algumas modificações sugeridas pelo diretório nacional do partido, em 1995. Ao contrário do que diz o texto da bancada, Eduardo Jorge se disse hoje favorável à cobrança de contribuição dos inativos que tenham benefícios mais altos. Para José Dirceu, o governo não terá interesse em discutir a proposta da bancada. "O que interessa (ao governo) não é o fato; é a foto."


