Banana alimenta pequeno incêndio entre Europa e EUA Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 05 (AE) - Não se pode falar de uma verdadeira crise entre os Estados Unidos e a Europa, mas de pequenos incêndios, por aqui e por ali, que se propagam, apagam e renascem um pouco mais longe. A banana alimenta um desses incêndios.
Já sabemos: Washington recrimina a União Européia de conceder enormes facilidades de acesso a seu mercado aos produtores de bananas da áfrica, das Caraíbas e do Pacífico, em detrimento de alguns países da América Latina - países da América Latina onde, de fato, multinacionais americanas controlam a distribuição das bananas (por exemplo, Chiquita ou Dole).
Em Genebra, onde se dá o julgamento dos conflitos que surgem na OMC (Organização Mundial do Comércio), acreditava-se, hoje, que a guerra seria evitada. No entanto, na mesma noite, os Estados Unidos endureceram e prepararam suas medidas de retaliação, se não for encontrada uma solução equilibrada até 12 de abril.
Essas medidas penalizaram os produtos mais notáveis - os cachemires escoceses, a carne de porco, as velas, as cafeteiras elétricas holandesas, os queijos da Itália, os produtos de luxo franceses.
Há outras querelas entre os países europeus e a América. Assim, vimos o primeiro-ministro italiano, Massimo DAlema, atualmente em viagem aos Estados Unidos, indignar-se que o piloto americano Richard Ashby seja absolvido pela justiça americana da hecatombe que causou na Itália, em 1997, cortando com as asas de seu avião os cabos de um teleférico de esqui, causando a morte de vinte pessoas.
A própria Alemanha, tão cordial com os americanos, está indignada com a execução dos irmãos LaGrand, dois alemães que, em 1984, assassinaram o gerente de uma agência bancária preto de Tucson. O chanceler alemão, Gerhard Schroder, havia pedido clemência, pessoalmente, para os irmãos LaGrand. Defesa inútil.
De uma maneira geral, o entusiasmo com o qual os americanos matam seus bandidos é sentido, na Europa, como repugnante, sobretudo quando se constata que, apesar dessa ferocidade, o nível de criminalidade americana continua espantoso. No caso do segundo dos irmãos LaGrand, o método de execução (18 minutos de agonia na câmara de gás) aumentou o horror.
No entanto, sobre uma questão observa-se uma semelhança entre os Estados Unidos e a França: as mulheres. Ou, sobretudo, as relações barrocas de alguns altos dirigentes com suas amantes. O grotesco caso Clinton-Monica teve seu eco, sua réplica lamentável, no caso Roland Dumas-Christine Deviers-Joncour.
Certamente, Roland Dumas não é presidente, como Clinton, mas tampouco é um proletário: é presidente do Conselho Constitucional, a mais alta instância em matéria de direito civis.
Ora, esse homem, encarregado de proferir a honestidade, recebeu de sua amante, Christine, presentes suntuosos, pagos, ao que tudo indica, com o dinheiro da sociedade Elf e destinados a exercer pressão sobre seu amante, Roland Dumas, então ministro do Exterior de Mitterrand, em uma venda de fragatas a Taiwan.
Nos dois casos (Clinton-Monica e Dumas-Christine) o sórdido e o ridículo são equivalentes. A mediocridade é a mesma.
E o comportamento das duas mulheres é comparável: no início tanto uma quanto a outra mostravam-se "a amorosa" devotada, protegendo a honestidade e a virtude de seu frágil corpo (enfim, frágil, no caso de Monica...) de seus luxuosos amantes.
Em seguida, a segunda fase: desgostosas de serem abandonadas por seus machistas benfeitores, as duas damas tornam-se mordazes: sob as peles aveludadas pairam caretas. Garras brilham na ponta das unhas esmaltadas e arranham.
Monica, nesse concurso de mesquinharia, tem mais dignidade que a francesa Christine, que se atola em cálculos financeiros imundos, mas, no final, as táticas se parecem.
Eis, então, pelo menos um lugar de cumplicidade entre os Estados Unidos e a França: enquanto a banana opõe um país ao outro, Monica e Christine, ao contrário, os une.





