Balsa é resgatada do fundo do Rio Pará7/Mar, 14:46 Por Carlos Mendes, especial para a AE Belém, 07 (AE) - A balsa Miss Rondônia foi resgatada hoje, por volta do meio-dia, do fundo do Rio Pará, em Barcarena. Segundo avaliação da Texaco, a embarcação emergiu carregada ainda com cerca de 200 mil litros de óleo. A operação envolveu 70 pessoas e teve início na madrugada, quando técnicos das companhias norte-americanas Smith American Inc., Caribean Oil e Spill Oil Response retiraram água dos tanques da balsa e injetaram ar nas duas câmaras de compensação para que ela flutuasse. Às 4 horas da manhã, a proa da embarcação começou a ficar visível na superfície. Após a conclusão do resgate, a balsa foi levada para o pier da área norte do porto de Vila do Conde, onde começou a ser vistoriada, à tarde, pelos técnicos da Secretaria Executiva Ciência Tecnologia e Meio Ambiente do Pará (Sectam), Corpo de Bombeiros Militar (CBM), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Defesa Civil do Pará. Eles vão verificar o estado da embarcação e acompanhar a retirada do restante do combustível. A Miss Rondônia não tinha licença da Sectam para transportar combustível, mas apenas madeira. A Conama, empresa arrendatária da embarcação, ainda não apresentou à Capitania dos Portos o projeto de modificação das características da balsa. Um guincho de 19 toneladas, montado sobre a balsa Xingu, começou a puxar a Miss Rondônia do fundo ao mesmo tempo em que posicionava a embarcação num ângulo correto e seguro para evitar que ambas colidissem. A assessora de Imprensa da Texaco, Heloísa Marcondes, comemorou o sucesso da operação. "Foi tudo perfeito. A balsa saiu limpinha do fundo do rio, sem estar suja de óleo". Ela criticou as notícias sobre o vazamento de óleo, classificando-as como "perigosas". E explicou que antes do resgate cerca de 88% do óleo já haviam sido retirados dos seis tanques da Miss Rondônia. Heloísa disse que não sabia ainda qual a quantidade de óleo que havia ficado na balsa resgatada, mas acreditava que o volume não passaria de 200 mil litros. "Agora é que os técnicos vão começar a medir essa quantidade com maior precisão". Criticando declarações da química e especialista em poluição hídrica, Vera Nobre Braz, que afirmou ter o vazamento de óleo provocado contaminação e morte de seres marinhos dentro da barreira de contenção no fundo do rio, acrescentou: "eu gostaria que essa ambientalista visse a balsa flutuando acompanhada por um boto, que apareceu aqui nadando sem problemas". Os jornalistas, mantidos a 150 metros de distância, por determinação da Capitania dos Portos, foram impedidos de tentar qualquer aproximação para documentar o resgate.