Balsa deve ser resgatada no sábado
Carlos Mendes
Agência Estado
De Belém
Sete mergulhadores contratados na Holanda pela empresa Smith American Inc., especializada em salvatagem (resgate de embarcação naufragada), iniciam hoje um levantamento das condições da balsa Miss Rondônia para fazê-la flutuar do fundo do Rio Pará, sábado, com sua carga de 1,8 milhão de litros de óleo armazenados em seis tanques. Flutuadores, compressores e bombas de sucção foram enviados da América Central e Holanda e devem chegar em Belém amanhã, para ser utilizados no trabalho dos técnicos e mergulhadores.
A balsa acidentada, pertencente à empresa Jonasa e arrendada à Transportadora Conama, está há cinco dias no fundo do rio, a 400 metros do porto de Vila do Conde, em Barcarena, a 20 quilômetros de Belém. Ela estava a serviço da empresa norte-americana Texaco e afundou na última sexta-feira quando era carregada de combustível no terminal de Vila do Conde. Os fortes ventos e a correnteza teriam sido as causas do acidente, segundo versão apresentada pelos funcionários da Conama que estavam no local. A Capitania dos Portos do Pará investiga a possibilidade de a má disposição da carga na balsa ter sido a responsável pelo naufrágio.
Segundo avaliações preliminares de técnicos da Texaco, a embarcação não apresenta danos em sua estrutura ou sinais de vazamento de óleo. Ela continua planada lá no fundo do rio, enterrada na lama, mas sem qualquer inclinação que comprometa a carga armazenada em seu interior, explicou o gerente regional da empresa, José Ferreira Amin. Ele tem recebido informações a cada duas horas dos mergulhadores do Corpo de Bombeiros militar e de particulares contratados pela empresa para monitorar a posição da embarcação no leito do rio. Esse pessoal está fazendo até 17 mergulhos por dia para saber se tudo continua dentro da normalidade e sem riscos ao meio ambiente.
Cerca de 13 mil famílias que vivem nas comunidades de Itupanema, Vila do Conde, Caripi e outras da região não escondem o temor de vazamento do óleo durante a operação de flutuação da balsa.
Essas comunidades sobrevivem da pesca do peixe, camarão e de outros crustáceos abundantes no Rio Pará e na região da baía do Marajó, distante apenas 20 quilômetros do local onde ocorreu o acidente. Nem é bom pensar muito na possibilidade de uma desgraça dessas. A gente pensa tanto e acaba atraindo coisa ruim, afirmou um dos líderes da vila de Itupanema, Raimundo Barreto.
O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Paulo Castelo Branco, garante que o plano de resgate da balsa só será aprovado se houver risco zero de um acidente ecológico capaz de poluir os rios da região. É bom prevenir logo. Por enquanto, o que temos é um acidente aquaviário. Se houver acidente ecológico, vão depois querer culpar o Ibama e isso eu não vou aceitar.
O procurador da República no Pará, Felício Pontes Júnior, que instaurou processo e intimou o Ibama e Capitania dos Portos a prestar informações sobre as causas e responsabilidades pelo acidente, em cinco dias, não descarta a possibilidade de processar imediatamente a Texaco se algum dano ambiental acontecer. Torço para que tudo saia bem nessa operação de resgaste, porque se houver algum problema, por menos que seja, o Ministério Público Federal agirá com o rigor que a lei lhe faculta.





