Belém, 08 (AE) - Sete mergulhadores contratados na Holanda pela empresa Smith American Inc., especializada em salvatagem (resgate de embarcação naufragada), iniciam amanhã (09) um levantamento das condições da balsa Miss Rondônia para fazê-la flutuar do fundo do Rio Pará, sábado, com sua carga de 1 8 milhão de litros de óleo armazenados em seis tanques. Flutuadores, compressores e bombas de sucção foram enviados da América Central e Holanda e devem chegar em Belém quinta-feira (10), para serem utilizados no trabalho dos técnicos e mergulhadores.
A balsa acidentada, pertencente à empresa Jonasa e arrendada à Transportadora Conama, está há cinco dias no fundo do rio, a 400 metros do porto de Vila do Conde, em Barcarena, a 20 quilômetros de Belém. Ela estava a serviço da empresa norte-americana Texaco e afundou na última sexta-feira quando era carregada de combustível no terminal de Vila do Conde. Os fortes ventos e a correnteza teriam sido as causas do acidente, segundo versão apresentada pelos funcionários da Conama que estavam no local. A Capitania dos Portos do Pará investiga a possibilidade de a má disposição da carga na balsa ter sido a responsável pelo naufrágio.
Segundo avaliações preliminares de técnicos da Texaco, a embarcação não apresenta danos em sua estrutura ou sinais de vazamento de óleo. "Ela continua planada lá no fundo do rio, enterrada na lama, mas sem qualquer inclinação que comprometa a carga armazenada em seu interior", explicou o gerente regional da empresa, José Ferreira Amin. Ele tem recebido informações a cada duas horas dos mergulhadores do Corpo de Bombeiros militar e de particulares contratados pela empresa para monitorar a posição da embarcação no leito do rio. "Esse pessoal está fazendo até 17 mergulhos por dia para saber se tudo continua dentro da normalidade e sem riscos ao meio ambiente". Medo - Cerca de 13 mil famílias que vivem nas comunidades de Itupanema, Vila do Conde, Caripi e outras da região não escondem o temor de vazamento do óleo durante a operação de flutuação da balsa. Essas comunidades sobrevivem da pesca do peixe, camarão e de outros crustáceos abundantes no Rio Pará e na região da baía do Marajó, distante apenas 20 quilômetros do local onde ocorreu o acidente. "Nem é bom pensar muito na possibilidade de uma desgraça dessas. A gente pensa tanto e acaba atraindo coisa ruim", afirmou um dos líderes da vila de Itupanema, Raimundo Barreto.
O superintendente do Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Paulo Castelo Branco, garante que o plano de resgate da balsa só será aprovado se houver "risco zero" de um acidente ecológico capaz de poluir os rios da região. "É bom prevenir logo. Por enquanto, o que temos é um acidente aquaviário. Se houver acidente ecológico, vão depois querer culpar o Ibama e isso eu não vou aceitar".
O procurador da República no Pará, Felício Pontes Júnior
que instaurou processo e intimou o Ibama e Capitania dos Portos a prestar informações sobre as causas e responsabilidades pelo acidente, em cinco dias, não descarta a possibilidade de processar imediatamente a Texaco se algum dano ambiental acontecer. "Torço para que tudo saia bem nessa operação de resgaste, porque se houver algum problema, por menos que seja, o Ministério Público Federal agirá com o rigor que a lei lhe faculta".

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